D E S N E C E S S A R I E D A D E S

13 de fev. de 2008

HAI!!!!!

É com esse grito seco e curto que o chef saúda os clientes. Quase chega a assustar. Além de saudação, pode servir como sinal de respeito, reverência, ou até mesmo a demonstração de uma energia, um estado de alerta constante.

Tsuyoshi Murakami! Esse é o cara!

Um artista e muito "gente boa" (não tem melhor pseudo-adjetivo para descrevê-lo).

Nascido no Japão, criado no Rio de Janeiro (o sotaque é marcante, assim como a personalidade), além de São Paulo, já trabalhou em Tóquio, Nova Iorque e Barcelona.

Esse "japa-carioca" é muito sensível e meio louco (no melhor sentido que essa palavra pode ter adquirido).

Agora (juntamente com os donos do Mercearia do Francês) ele reabriu o Kinoshita (www.restaurantekinoshita.com.br), verdadeira referência em culinária japonesa desde 1976, muito antes da comida japonesa virar moda em São Paulo.

Do antigo, no bairro da Liberdade, restou apenas a qualidade da cozinha. Este, que foi inaugurado nos últimos dias de janeiro na Vila Nova Conceição, ganhou instalações muito mais confortáveis, sem falar no horário de funcionamento bem mais razoável ao estilo paulistano (o antigo fechava muito cedo).

A casa é belíssima, decorada por Naoki Otake e com paisagismo de Gilberto Elkis. São vários ambientes: salão, sushi bar, bar, sala de tatame e terraço. Todos muito confortáveis. O sushi bar é clean, sem as habituais geladeiras de peixe. Mas o espaço mais agradável é o terraço (única área para fumantes).

O Murakami define sua Kappo Cuisine como uma cozinha de autor (onde o forte é a criação), privilegiando a utilização de ingredientes selecionados e sempre frescos.

Mais do que isso, ele busca sempre, através de sua comida, provocar surpresas em quem a prova. Ele propõe uma viagem nos sabores dos vários ingredientes de cada prato, que são combinados visando sempre a convivência harmoniosa e não a prevalência.

Um bom exemplo dessa característica é uma entrada fria que provei. Não me lembro o nome, mas sei descrevê-la. Compõe-se de berinjela japonesa ligeiramente levada ao forno (única parte que não tenho certeza), tomate sem pele e sem sementes, apenas "assustados" na frigideira, camarão cozido e aspargos fresquíssimos e crocantes. Todos ingredientes suavemente deitados sobre um molho missô. E que molho! O melhor missô que já provei. O Murakami explicou que o que faz deste molho único é a adição de mascarpone à receita. Uma delicadeza!

Outro prato impactante, por sinal também frio, é o Hiyashi Udon, um macarrão grosso servido nadando em um caldo prá lá de especial, juntamente com folha de ovo, pepino, cenoura, kara, shisso, nabo e broto de nabo. O caldo é dotado de um intenso sabor quase conflitante com uma, não menos intensa, suavidade (se é que isso é possível, mas foi o que eu senti...). O sabor desse prato é realmente complexo, quase impossível de descrever. Não recomendo para qualquer um, apenas para paladares mais avançados.

Achei muito interessante também a releitura do Beef Katsu, crú por dentro e acompanhado por uma mostarda (Karachi) e banhada por um molho caseiro. De sobremesa, muito curioso o sorbet de chá inglês com Hojicha e laranja kinkan, leve e exótico.

Este lugar não é para ir somente de vez em quando!

Sem falar que bater um papo com o Murakami, não tem preço!

Um comentário:

Anônimo disse...

Fala Edu!! No meu pequeno tour pelos restaurantes japas, preferindo um peixe do que um hambuger, vou experimentar essa sua dica :)

Abs!
Juliano