D E S N E C E S S A R I E D A D E S

1 de set. de 2008

QUE COISA LINDA!



Só isso! Dói de tão linda esta música!

31 de ago. de 2008

MISS


Luciano não teve filhos, só filhas. Quatro.

Paul foi o filho que ele não teve.

Luciano nasceu numa cidade do extremo sul da Europa, Paul numa da extremidade norte. Ambos, católicos.

Luciano está morto. Foi um dos dois maiores tenores da história. Paul está vivo. É um dos maiores cantores populares de todos os tempos.

Por volta de 1994, Luciano decidiu que queria gravar uma canção composta por Paul. Naquele momento, Paul estava envolvido com outros projetos e disse que não seria possível. Luciano passou então a ligar todos os dias para a casa de Paul. Por quase um ano.

Se Luciano não recebia um retorno imediato, ele dizia para a empregada de Paul: “diga a Deus para me ligar”. Luciano até ameaçava: “eu vou te ligar todos os dias, todas as horas e vou estar com você nos seus sonhos, eu vou falar no ouvido dos seus filhos”.

Paul não se incomodava. Na verdade isso fazia muito bem para o seu ego.

Algo mudou quando Luciano disse: “eu sei que Deus irá pôr uma canção no seu coração para mim”. Apesar da clara chantagem emocional, parece que Paul conseguiu o tempo e a inspiração que precisava.

Nasceu uma bela música, quase um lamento. Para a letra, Paul buscou inspiração no livro de Eclesiastes da Bíblia.

Esta passagem diz que existe um tempo para tudo sob o céu.

Na canção, Paul explora este conceito por meio de uma bela poesia. Alegria e tristeza; esperança e desilusão; fartura e escassez; existe um tempo para tudo...

A música ainda faz referência (inclusive no título) a um concurso de beleza realizado na Bósnia durante a guerra, exatamente para chamar a atenção do resto do mundo para o que estava ocorrendo lá.

A parte em italiano foi composta em inglês por Paul e depois traduzida para Luciano cantar (são os únicos versos cantados por ele).

Algum tempo antes da morte de Luciano (vai fazer um ano no próximo sábado), Paul decidiu voltar a tocar a música nos seus shows. Ele inclusive passou a cantar a parte em italiano. Dá pra ver ele estrebuchando na tentativa de imitar um tenor.

Seu pai natural era um tenor amador e Paul não é muito diferente disso...

Nos concertos, Paul interrompia o andamento da música dizendo que agora era um tempo para os direitos humanos. Apenas com uma melodia quase desistindo, eram projetados os artigos da declaração universal dos direitos humanos.


Veja a letra:

Is there a time for keeping your distance
A time to turn your eyes away
Is there a time for keeping your head down
For getting on with your day

Is there a time for kohl and lipstick
A time for curling hair
Is there a time for high street shopping
To find the right dress to wear

Here she comes
Heads turn around
Here she comes
To take her crown

Is there a time to run for cover
A time for kiss and tell
Is there a time for different colours
Different names you find it hard to spell

Is there a time for first communion
A time for East Seventeen
Is there a time to turn to Mecca
Is there time to be a beauty queen

Here she comes
Beauty plays the clown
Here she comes
Surreal in her crown

Dici che il fiume
Trova la via al mare
E come il fiume
Giungerai a me
Oltre i confini
E le terre assetate
Dici che come il fiume
Come il fiume...
L'amore giungerà
L'amore...
E non so più pregare
E nell'amore non so più sperare
E quell'amore non so più aspettare

[Tradução do italiano]
You say that the river
finds the way to the sea
and like the river
you will come to me
beyond the borders
and the dry lands
You say that like a river
like a river...
the love will come
the love...
And i don't know how to pray anymore
and in love i don't know how to hope anymore
and for that love i don't know how to wait anymore

Is there a time for tying ribbons
A time for Christmas trees
Is there a time for laying tables
And the night is set to freeze



Realmente existe um tempo para tudo na vida.

Eu aprendi que o difícil é indentificá-los...

Acho que estou num tempo de aprendizado e de esperança!

Mas, vai saber...

23 de ago. de 2008

TIC...TAC...

Faz um tempão que eu queria escrever este post.

Mas não dava tempo.

Finalmente achei um tempinho.

Queria encontrar um vídeo para o tema. Dentre infinitos, escolhi dois. O primeiro é esse do Pato Fu. O segundo vem no final.


O tempo faz algumas certezas diminuírem, outras aumentarem.

Ajuda a aprender aquilo que a gente não sabe, mas mostra que não sabemos aquilo que pensamos saber.

Colabora com a cicatrização, mas expõe as feridas causadas pela saudade.

Ele é cruel...

Gostaria que ele me ensinasse a dizer alguns “nãos”.

Principalmente aqueles que mais me doem.

Mas ele não dá brecha, não se deixa convencer...

Até pedi para não endurecer o meu coração, mas ele disse que não será possível.

Porque não? Pensa bem, mano velho! Olha que dá...

Só que não tenho tempo para discutir com ele, então seja o que Deus quiser...

De todas as certezas que ele me tirou, sobraram basicamente duas:

“Hoje o tempo voa, amor! Escorre pelas mãos...”

E

Não importa quanto o tempo passe, sempre terei o resto da minha vida...


Este segundo vídeo é do U2. A música é City of Blinding Lights, ganhou o Grammy de melhor canção de rock de 2005.

Está aqui por causa desses versos do Bono:

“Time...time...time...time...time
Won't leave me as I am
But time won't take the boy out of this man”

10 de ago. de 2008

A VIDA É ASSIM...


Algumas pessoas passam pela nossa vida rápido demais, não se instalam.

Outras vão entrar, mas isto ainda não aconteceu.

Umas ficam por um tempo, depois vão.

Outras ficam, vão, voltam, depois vão de novo...

Tem aquelas pessoas que não vão voltar mais, paciência.

Dentre essas, sentimos saudade de algumas, outras não.

Dois mais dois nem sempre é igual a quatro, às vezes é igual a zero.

Mas tudo bem!

Hoje sinto saudade de pessoas que já não estão na minha vida, mas algumas podem voltar.

Dentre as que não vão, meu pai.

Maior vilão da minha vida.

Amizade tardiamente correspondida.

Um quase ódio, que acabou virando um amor sereno.

Maior responsável pelo que sou.

É curioso perceber que as escolhas que fiz durante a vida, muitas vezes para fugir de quem ele queria que eu fosse, não importaram.

Sou quem eu sou e isso é por causa dele.

Ainda bem, por que eu realmente não queria ser diferente.

Obrigado!

9 de ago. de 2008

TADINHO DO MAHATMA


O STF disse que a "lista suja" não serve para impedir a candidatura.

Entendeu?

Isso quer dizer que se o cara tiver uma lista quilométrica de processos contra ele, mas nenhum tiver transitado em julgado (ainda couber recurso), o cara pode participar da eleição, numa boa.

Dos 11 ministros da suprema Corte, só dois entenderam o contrário. Foram votos vencidos Carlos Ayres Britto e Joaquim Barbosa.

Para justificar o entendimento, os nove que acabaram decidindo a questão tiveram que forçar a interpretação de alguns princípios constitucionais.

Presunção de inocência... Um certo Paulo tem várias ações, mas como todas ainda não acabaram, temos que achar que o cara é inocente e honesto!

Pode?

Pode sim! O presidente da República pode ser eleito mesmo tendo sido condenado em primeira e segunda instância em uma ação penal, desde que o término da questão ainda dependa de um recurso (ainda que aventureiro).

Já o pobre do funcionário do governo que cuida das latrinas do Palácio não pode! Para participar do concurso que dá acesso ao cargo, ele tem que ter a ficha limpa!

Faz mesmo sentido!

Na verdade, sei que seria necessária uma lei para resolver a questão. Isto é fato!

Tudo bem então, vamos esperar que os mebros do Congresso façam uma lei que praticamente impeça uma grande parte deles de se reelegerem!

Cadê o meu direito a um governo honesto? Nunca vai chegar! Nem perto, né? Pode falar, eu já estou grandinho!

Mas o julgamento foi um show, durou mais de oito horas! O voto do relator teve 80 páginas e ele demorou umas quatro horas para ler. Considerando todos os votos, foram citados Jesus Cristo, Pôncio Pilatos, Mussolini, Gilberto Gil etc.

Será que foi uma decisão midiática? Hein, ministro Mendes? Pode não ter agradado às câmeras, mas que foi para elas, isso foi, né?

Quando eu era pequeno
Tudo era mais fácil quando eu era criança. Na televisão tudo era preto ou branco.

O governo era militar (no finalzinho) e a oposição estava à esquerda.

Bastava ler o Estadão para saber que governo estava certo. Se quisesse saber que não estava, tinha que ler a Folha.

Hoje...

Puta que o pariu!

Desculpe a escolha das palavras, mas em certas horas...

É impossível saber a verdade das histórias! Não dá para confiar em ninguém, todos podem ter algum tipo comprometimento com alguém.

Quem está falando a verdade? O vejeiro ou os blogueiros pilantras?

Como eu posso ter certeza?

Quando eu era pequeno, o canal do Silvio mostrava a semana do presidente, hoje a Globo finge que critica o governo e a gente finge que acredita.

Por falar nela, é assustador o que a emissora do bispo fez com a qualidade da Globo! Os caras estão desesperados, é só baixaria! Que nível! Mas quando a crítica fica séria, sempre sobra o argumento da liberdade de imprensa...

Parece piada! Justificar apelação e intromissão em investigação pela liberdade de imprensa!

Quiabos e laranjas!

Protógenes, o Grande e o Santo
Sempre que alguém toma uma atitude que pode gerar algo produtivo para o país, parece que sempre vai terminar em desperdício de tempo.

Mesmo de forma atabalhoada, a operação Satiagraha podia ter posto um peixão na cadeia, mas...

São muitos os "serás"...

Será que o Dantas esperou para voltar ao Brasil só quando o Gilmar Mendes estivesse sozinho respondendo por um tribunal em recesso?

Será que Dantas e o Mendes se cruzaram lá atrás quando o primerio enriqueceu com as privatizações do FHC e o segundo era advogado-geral da União ou chefe de assuntos jurídicos da casa civil?

Será que o Lula também tem enorme interesse no silêncio de Dantas, ou é só o FHC?

Será verdade que a influência de FHC no STF ainda é enorme?

Será que a finalidade do STF deveria ser jurídica e não política?

Será que as ações da PF foram determinadas por uma parte do governo Lula (que detém o controle de parte da polícia), contrariando os interesses da outra parte do próprio governo?

Será que depois do presidente do Supremo ter chamado o juiz de Sanctis pro pau, a crise no Judiciário só esfriou graças a uma operação abafa?

E quem será que ordenou essa operação? O atual presidente, o anterior, Zé dirceu, Eduardo Jorge, Dantas, Pernalonga?

Eu juro que não sei!

Será que Protógenes Queiroz, Rodrigo de Grandis e Fausto de Sanctis são tão bem intencionados como eu acredito?

Será?

Por que será que eu não ví, nem por uma vezinha, o presidente Lula (dando várias entrevistas sobre o tema) pronunciar os nomes Protógenes, de Grandis, De Sanctis ou Satiagraha?

Será que foi para não prestigiar os caras, por que os nomes são difíceis e ele ficou com medo, ou porque não conseguiu lembrar?

Eu não sei e as pessoas que sabem não me contam!

Última pergunta, porque que os nomes das operações têm que ser tão criativos?

Para quem ainda não sabe (eu sei que é difícil alguém ainda não saber!), Satiagraha era o lema de Gandhi, isso todo mundo concorda. Para alguns seria firmeza da verdade, para outros resistência pacífica.

Seja um ou seja outro o significado, a única coisa certa é que o magrelo se revirou no túmulo!

PS. Da série "Leis irritantes de um país que se leva a sério"

O Governo paulista aprovou uma lei no dia 22 de julho que permite o protesto de dívidas de aluguel e encargos condominiais. Para variar, o texto é meio vago e fica difícil dizer quando o síndico pode te protestar. Mas já teve especialista dizendo que pode ser a qualquer momento!

Poder aos tiranos! Nós, aos leões!

6 de jul. de 2008

LEI SECA! LEI... CHEGA!


Já começou a chover ações contra a aplicação da chamada Lei Seca!

A primeira foi de inconstitucionalidade, ajuizada pela associação de bares e restaurantes.

Eu acho a lei esdrúxula! Me irrita ver muita gente defendendo, só por ser politicamente correto! (Eu odeio o politicamente correto!)

Agora você não pode mais sair para comer dois pastel e tomar um chopes, sem correr o risco de parar na delegacia!

Quem faz merda, deve ser punido sem dúvida, mas essa lei prevê punições até para o Mané que anda direito.

Do jeito que o país está, torna fácil entender porque tanta gente cobra leis mais rígidas, mas isso é um engano! E eu explico...

A violência tá foda? Tá!

Mas será que é porque o sr. criminoso acha que vale a pena cometer o crime diante de uma lei que vai acabar resultando em pouco tempo de cadeia?

NÃÃÃO!!!

Será que ao invés de 30 anos (pena máxima permitida na legislação brasileira), se houvesse a possibilidade dele ser condenado a 60, ou 100, ou perpétua (morte eu até me recuso a mencionar como opção!), ele talvez mudasse de idéa?

Acho que eu vou matar aquele Mané! Afinal, se eu for para a prisão, eu saio em só uns 10 anos!

NÃÃÃO!!! Ninguém quer ficar preso nem uma semana!

O que faz o índice de criminalidade ser tão elevado não é a falha na legislação, mas sim na aplicação da lei! Percebe?

A cada 10 crimes cometidos, a polícia de sp ou rj, esclarece apenas um!!!

O sr. bandido pensa desse jeito: Posso fazer qualquer coisa, que os Gambé não vai me pegá, e se pegá é só dá uma grana prá eles que tá tudo liberado!

A quantidade de leis no Brasil é absurda! A nossa Constituição tem cerca de 40 vezes o número de artigos da americana.

Temos lei para tudo, temos leis repetidas, conflitantes, inconstitucionais, desnecessárias, etc. O congresso adora fazer uma lei! Isso dá uma grana!! Nós, Manés, nem imaginamos...

O ponto é o seguinte, tirando as principais questões (novidades na sociedade e reformas estruturais essencias, como a tributária, previdenciária, eleitoral, etc e tal), devemos concentrar os esforços na melhora da aplicação e fiscalização, em vez de ficar perdendo tempo pedindo penas mais severas.

O que já está aí, legislado, já está bão de mais, viu Mané!!!

Precisamos é de um poder de polícia mais eficaz, melhor estruturado, remunerado, capacitado, etc. e etc!

NÃÃÃO de leis cada vez mais difíceis de serem cumpridas e que só são aplicadas logo que entram em vigor e a mídia abre espaço, para depois serem esquecidas...

Neste momento, em que o fogo tá pegando, meu conselho é se mudar para perto do bar/restaurante preferido, para poder ir a pé!

Vai sair mais barato que o taxi ou que a multa! (Tem uma de mais de 900 pilas!)

2 de jun. de 2008

PARA NÃO DIZER QUE EU NÃO FALEI DE FUTEBOL!


(O título é referência ao berimbau do Millor e não às flores do Geraldo. E o video é a propaganda da ESPN para a Copa de 2006, com narração do Bono).

Geraldinos e Arquibaldos!
Do "maior do mundo" ao menor batidão de terra!
Fala aê!
A paixão que nos une é real, quase tangível!
A ignorância fruto desse sentimento irracional, também!
Juntando a TV aberta e a paga, devemos ter, por dia, quase 100 horas dedicada ao esporte (e destas, um mínimo de 90% ao futebol).
Sem falar no rádio e na imprensa escrita!
Difícil é separar o quase nada dito com ponderação da imensa porção de pérolas e abobrinhas (só para não fugir da "terminologia" do meio).
Comigo não é diferente!
Sinto dizer, mas este "post" se enquadra na parte vegetal!
Por isso, se não é abobrinha que você busca agora, pode parar de ler!

O futebol é simplemente espetacular, mas brilhantemente arcaico, uma vez que intencionalmente avesso ao progresso e à modernidade.
O que seria do futebol se a tecnologia existente eliminasse qualquer dúvida sobre os resultados?
Retire a arbitragem da equação e o que sobraria?
O que seria das mesas redondas de domingo à noite??!!??
Reclamar do juiz é parte do pacote, como em nenhum outro esporte!
Fale mal da Fifa, mas é sábia a decisão de não atualizar as regras e não ceder totalmente à modernidade.
Mas o futebol é mais! É alegria e sofrimento! Nem sempre bem distribuídos!

Sou completamente apaixonado por futebol. Cada vez mais!
Sou torcedor do São Paulo (quase roxo e nada rosa).
Meu segundo time (se é que isso é realmente possível) é o Mengão, pois quem entra no Maracanã com 100.000 urubus (no mínimo), acaba abrindo um espaço para esse time no coração. Mas isso é outra história...

O fato é que a Copa Libertadores da América costuma ser a felicidade dos são paulinos, mas neste ano...
Sofri muito, pela derrota do meu time e pela derrota do Flú!
Como posso ter sofrido pela eliminação do algóz do meu primeiro time e arqui-rival do meu segundo?
Eu explico!

O São Paulo estva se classificando, apesar da derrota (então por apenas 2 x 1).
Mas um frio na barriga insistia em bloquear qualquer perspectiva de relaxamento, quase que me preparando para o que viria.

Piiii!

Cartão vermelho para um dos nossos!

Fudeu! Agora é só na raça! (até o momento o SP mandava no jogo)

45 min. Ufa!! Vai acabar, acho que vai dar!

46, TIRA! TIRA ESSA PORRA DAÍ!!!!

Vai dar!!

Quase 47, escanteio! Num tem problema, o Pirulito é alto pacas, o Adriano ajuda e ainda tem a raça do Miranda! Vai dar! É a última chance do Flu!

gol...

PUTA QUE O PARIU! MERDA COLOSSAL!!!

Foi uma facada no peito!
Doeu!
Muito mais do que o normal...

O curioso é que a dor daquele momento, espantosamente, se transformou em emoção e simpatia com a vitória do adversário! Provavelmente em razão do Washington (o coração valente).
O cara teve problemas cardíacos, operou o coração e teve diabétis, mas não desiste!
Ele estava há 8 ou 9 jogos sem marcar e, logo no jogo mais importante até então, desencanta e faz logo 2!
No primeiro, a comemoração foi pura demonstração de raiva, um desabafo!
No segundo, um choro fluente e sem controle! Um abraço no Renato Gaúcho (que figura)!
Não tinha mais jeito, eu já estava emocionado (o que, como se sabe, não significa muita coisa).
Aí, o Renato se senta no meio do gramado e fica olhando para o nada. Cena de impacto! Mas pareceu meio teatral, como se ele estivesse tentando vender aquela imagem. Mesmo assim, acho que eu comprei...

Estava decidido, a libertadores não estava acabada para mim. Iria torcer para o Flu ser o campeão. Afinal, o São Paulo já estava fora e o Nense é um time do Brasil, do Rio (que eu tanto amo), do Chico Buarque, do Nelson Rodrigues e, além do mais, a torcida canta umas músicas bem legais... Foi assim que eu justifiquei para mim mesmo.

E veio o Boca! Ficou ainda mais fácil o meu apoio!!!
Mais tensão!
Passamos! (eu já me incluía...)
Chegou a final!
Derrota lá (4x2) e decisão no Maráca!
Ingressos esgotados! Renato falando merda atrás de merda!
Eu até achei que seria fácil, pois a LDU parecia bem menos ameaçadora do que o SP e o Boca.

Só que não deu! E nos pênaltis! Derrota épica! 90 mil pessoas tristes! Maracanazzo de novo (58 anos depois)!
Nunca a taça da Libertadores foi entregue no "maior do mundo"! Pare que o destino tem alguma coisa contra...

E eu...

Arrependido!

Quem mandou torcer pro Flú?!?!?! Se não tivesse tido este estúpido rompante teria sofrido só uma vez...

2 PS's pra matar o assunto futebol:

PS. 1 - O Muricy falou, há algum tempo atrás, uma frase de rápida e grande repercussão (já ví gente citando até na Zooropa): "A bola pune!", ou, em português, tudo na vida tem consequência! (Minha livre e autoritária tradução!)


PS. 2 - Não aguento mais ouvir reclamação sobre a truculência no futebol!
Cuidado com o carrinho!
Cuidado com a cabeça!
O juiz não pode deixar o jogo correr solto!
Que saco!
BOO HOO!
O futebol é primo do rugbi! É esporte de contato!
O carrinho tá na regra!
Quem não quer correr os riscos, que vá então jogar volei!!!!

13 de mai. de 2008

TÔ QUASE DE VOLTA!


Minha longa viagem à curta nação da Elbonia chegou ao fim. Logo mais estou de volta.
Numa das curvas esquisitas desse lugar, um cachorro usando óculos pretos e redondos me falou algo que há tempos um homem de óculos retangulares e coloridos já havia me dito:
"Você não precisa daquilo que você não tem agora!"
Dependendo de quão estrita for a interpretação do significado do verbo precisar, eu até concordo, mas, mesmo concordando, preciso acrescentar que precisar não preciso, mas mesmo assim, eu posso continuar querendo...

28 de mar. de 2008

BOAS, RUIM E RÁPIDAS

Com quase 18 anos (sei lá quantos caninos), Pupy morreu quinta passada. Fiquei (estou) bem triste! Como uma coisa tão pequena pode fazer tanta falta?... O espaço que ela ocupava na minha rotina era 100 vezes maior que o físico. Mas devo agradecer (mais uma vez) pelo senso oportuno do Universo no que tange aos acontecimentos relevantes para a minha vida. Mais uma vez, a impecável hora certa.

Agora quem ocupa quase todo o meu amor devotado aos irracionais é a Nookie. Porra, como eu gosto dela! Para a Pupy, fica a saudade eterna, como a que eu sinto da Gabi e da Lilika.

Finalmente me viciei em alguma coisa que preste. Estou correndo 35 km por semana. Continuo fumando a mesma quantidade de sempre. O cigarro não diminui e o meu fôlego só aumenta. Quase 37, sedentário há mais de uma década, fumante há mais de duas... Não dá para entender. Logo mais estarei correndo uma maratona com um cigarro na boca...

Outro vício novo, porém não tão bom, mas também nem um pouco ruim: pimenta. Que delícia. Mas antes precisa estudar um pouco.

O pequeno emo ganhou!!! Justiça foi feita!!!! Mas esse BBB parece que já foi melhor...

Preciso afirmar: Não tem jeito, os Coen são FUPER SODA!! Embora eu siga insistindo que prefiro o PTA. Sabe quem liga para o que eu prefiro????? EU!!!

E a melhor, no final: Semana que vem já estarei em endereço novo!!! (e óbvio que não estou falando de virtual)

13 de fev. de 2008

HAI!!!!!

É com esse grito seco e curto que o chef saúda os clientes. Quase chega a assustar. Além de saudação, pode servir como sinal de respeito, reverência, ou até mesmo a demonstração de uma energia, um estado de alerta constante.

Tsuyoshi Murakami! Esse é o cara!

Um artista e muito "gente boa" (não tem melhor pseudo-adjetivo para descrevê-lo).

Nascido no Japão, criado no Rio de Janeiro (o sotaque é marcante, assim como a personalidade), além de São Paulo, já trabalhou em Tóquio, Nova Iorque e Barcelona.

Esse "japa-carioca" é muito sensível e meio louco (no melhor sentido que essa palavra pode ter adquirido).

Agora (juntamente com os donos do Mercearia do Francês) ele reabriu o Kinoshita (www.restaurantekinoshita.com.br), verdadeira referência em culinária japonesa desde 1976, muito antes da comida japonesa virar moda em São Paulo.

Do antigo, no bairro da Liberdade, restou apenas a qualidade da cozinha. Este, que foi inaugurado nos últimos dias de janeiro na Vila Nova Conceição, ganhou instalações muito mais confortáveis, sem falar no horário de funcionamento bem mais razoável ao estilo paulistano (o antigo fechava muito cedo).

A casa é belíssima, decorada por Naoki Otake e com paisagismo de Gilberto Elkis. São vários ambientes: salão, sushi bar, bar, sala de tatame e terraço. Todos muito confortáveis. O sushi bar é clean, sem as habituais geladeiras de peixe. Mas o espaço mais agradável é o terraço (única área para fumantes).

O Murakami define sua Kappo Cuisine como uma cozinha de autor (onde o forte é a criação), privilegiando a utilização de ingredientes selecionados e sempre frescos.

Mais do que isso, ele busca sempre, através de sua comida, provocar surpresas em quem a prova. Ele propõe uma viagem nos sabores dos vários ingredientes de cada prato, que são combinados visando sempre a convivência harmoniosa e não a prevalência.

Um bom exemplo dessa característica é uma entrada fria que provei. Não me lembro o nome, mas sei descrevê-la. Compõe-se de berinjela japonesa ligeiramente levada ao forno (única parte que não tenho certeza), tomate sem pele e sem sementes, apenas "assustados" na frigideira, camarão cozido e aspargos fresquíssimos e crocantes. Todos ingredientes suavemente deitados sobre um molho missô. E que molho! O melhor missô que já provei. O Murakami explicou que o que faz deste molho único é a adição de mascarpone à receita. Uma delicadeza!

Outro prato impactante, por sinal também frio, é o Hiyashi Udon, um macarrão grosso servido nadando em um caldo prá lá de especial, juntamente com folha de ovo, pepino, cenoura, kara, shisso, nabo e broto de nabo. O caldo é dotado de um intenso sabor quase conflitante com uma, não menos intensa, suavidade (se é que isso é possível, mas foi o que eu senti...). O sabor desse prato é realmente complexo, quase impossível de descrever. Não recomendo para qualquer um, apenas para paladares mais avançados.

Achei muito interessante também a releitura do Beef Katsu, crú por dentro e acompanhado por uma mostarda (Karachi) e banhada por um molho caseiro. De sobremesa, muito curioso o sorbet de chá inglês com Hojicha e laranja kinkan, leve e exótico.

Este lugar não é para ir somente de vez em quando!

Sem falar que bater um papo com o Murakami, não tem preço!

12 de fev. de 2008

EI! VEM CÁ!


Ei!

Vem cá!

Já!

Escuta!!!

É com você!

É!

Você sim!

Não adianta fingir que não é!

Sua cachorra!

Não adianta me olhar assim!

Nem vem que não tem...

Depois do que você fez...

E ainda você quer que eu vá até aí?!...

Vai esperando...

Só te digo uma coisa:

Pupy, se você fizer cocô no tapete da sala de novo...

LEON ELIACHAR DISSE!


Eu perdi a minha agenda, não sei o que fazer!

Eu digo:

Ainda bem que eu não uso agenda, guardo tudo na cabeça.

Mas se eu perder a cabeça...

8 de fev. de 2008

NADA PRA MIM

Sabe aquela história de vocal feminino ser mais bonito?...

Tudo bem que jamais daria para qualquer homem competir com Elle, Sarah, Billie e, até mesmo, a Nina (não estou nem falando em Callas). Mas, mesmo no plano do mais normal, ainda assim, voz de mulher é diferente.

Seja The Cranberries (Linger -Anhhhfff...ai,ai,ai), Annie Lenox (Waiting in Vain), Marisa Monte (Segue o Seco), Cássia Eller (All Star), Elis (O Bêbado e A Equilibrista), Elba (De Volta Pro Aconchego) ou Bethânia (Gostoso Demais), só para citar algumas.

Fernanda Takai! Para mim ela é o João Gilberto do rock, sem as manias, é claro.

Voz suave, precisa, concisa, doce, afinada e contida. No marido, John, encontrou o contraponto perfeito.

No ano passado ela lançou um disco cantando somente músicas da Nara Leão. É um dos melhores discos brasileiros do ano. Se você duvida, vai ouvir então!

E o Pato Fu é A banda brasileira! Houve um tempo quando eu falava isso, as pessoas riam. Hoje está um pouco melhor.

Em 2001, a revista “Time”, em sua edição nos Estados Unidos, fez uma lista dos dez melhores grupos do mundo, naquela atualidade e fora dos EUA. Pato Fu estava lá, junto com U2 e Radiohead.

Tudo bem que listas são completamente desnecessárias, mas eu curto. E daí? Vai encarar?

Essa música... Se eu fosse um compositor, eu gostaria de tê-la criado. Que melodia, que tempo, linda, perfeita...

NADA PRA MIM
Composição: John

Eu não vim aqui
Pra entender
Ou explicar
Nem pedir nada pra mim
Não quero nada pra mim

Eu vim pelo que sei
E pelo que sei
Você gosta de mim
É por isso que eu vim

Eu não quero cantar
Pra ninguém a canção
Que eu fiz pra você
Que eu guardei pra você
Pra você não esquecer
Que tem um coração
E é seu tudo mais que eu tenho
Tenho tempo de sobra
Tenho um jogo de botão
Tenho essa canção

Agora este clipe que eu achei é visualmente medonho, mas foi a única forma que encontrei de colocar a música neste post, por isso:

APERTE PLAY, FECHE OS OLHOS E ABRA OS OUVIDOS!

U2-3D - TÁ CHEGANDO...


O filme mostra a perna sul-americana da Vertigo Tour, totalmente filmado em terceira dimensão.

A pré-estréia mundial ocorreu esses dias no Sundance.

Quando vai chegar aqui?

Ainda não sei.

Só sei que eu quero ver com óculos 3D!!!!!

29 de jan. de 2008

WAAAL


Esses dias eu comi um bife à milanesa. Fazia tempo. Tanto tempo, que esta refeição ordinária me levou longe em pensamentos...

Quando eu era um adolescente (década de 80), Paulo Francis era o cara. Eu não tinha noção do porquê. Mas queria saber.

Polêmico, politicamente incorreto (tudo bem que era antes de ser inadmissível tal postura), mas super respeitado.

Os mais velhos e profundos eram os únicos e poucos que o acusavam de uma certa futilidade na escolha de temas. A turma mais à esquerda não o engolia (e isso era mais do que recíproco). Mas o resto, a grande média do público leitor, quase o punha num pedestal.

E eu nem sabia porque. Mas queria.

Para resolver esse problema, comprei a Folha. O meu medo não era não gostar, mas sim não entender.

Eu lí então, pela primeira vez, uma coluna dele. Na época eu fiquei na dúvida se não havia gostado por não ter entendido, ou se simplesmente não havia gostado.

Hoje vejo que não dei sorte. Aquela primeira coluna escolhida, ao acaso, realmente era bem chata. Não esqueço até hoje. Em quase uma página de jornal, Paulo Francis descrevia dois problemas cotidianos e banais de sua vida em Nova Iorque. Ele se mostrava indignado com o menino que entregara o seu jornal, num dia de chuva, sem o devido plástico. Depois, a irritação mudava de alvo, para a funcionária de uma empresa de cartão de crédito que estava querendo lhe oferecer mais um cartão (numa época em que, no Brasil, não era assim).

Eu lí e desisti de gostar do Paulo Francis. Por um bom tempo, ficou assim.

Nesta mesma década, Rogério Fasano decidiu reabrir o Fasano. primeiro, ele começou na rua Amauri, depois foi para a Haddok Lobo, onde tudo passou a ser grandioso.

Da Itália ele trouxe Luciano Boseggia. Com certeza foi um desafio, pois, na época (1985), não se podia encontrar os ingredientes adequados por aqui.

E do Ca'd'oro ele trouxe várias estrelas da equipe do salão. As duas maiores foram o Seu Ático e o Seu Piero. O primeiro chegou a ter o status de melhor maitre do Brasil, era brasileiro legítimo, de pele morena, quase idoso, de educação sofrida, não falava o português perfeitamente. O segundo, não teve a mesma fama (embora viesse logo atrás), italiano legítimo, pele pálida, certa idade, de boa formação, não falava o português perfeitamente.

Os dois já me conheciam desde bem pequeno, quando eu ia, muito à revelia, ao Ca'd'oro com minha família.

O Seu Ático me assustava um pouco. Ele é quem se encarregava de servir o Gran Bolito (também no Fasano e, mais tarde, no Parigi). Este cozido italiano fica sempre no salão, num carrinho aquecido, de onde saem várias carnes que são fatiadas na hora e servidas com alguns molhos e acompanhada de repolho, batata doce e outras raizes e legumes. Ver ele segurando um garfo espetado numa língua imensa, não era uma imágem que uma criança pudesse curtir muito.

Nunca vi o Seu Piero numa cena dessa.

Ná época do Fasano, eu comecei a descobrir os prazeres da comida. Não ia mais contrariado, até pedia para ir. Já preferia a sensação única de cada sabor, àquela de apenas matar a fome.

O Seu Ático não percebia isso, continuava a me tratar apenas como uma criança sem personalidade. Mas o Seu Piero sempre depositava confiança no meu paladar. Por isso, eu sempre pedia para ele escolher o que eu iria comer. Ele sempre respondia da mesma forma: -Acho que hoje o menino vai gostar de provar o... (isto continuou até quando eu, já adulto, ia de terno em um almoço de trabalho)

Com o Seu Piero, eu descobri os sabores mais marcantes da culinária italiana. Foi ele quem me introduziu à polenta cremosa, ao funghi porcini, ao ossobucco, ao queijo mascarpone, às trufas, entre outros ingrediantes que hoje já fazem parte das minhas opções gastronômicas.

Numa dessas indicações é que apareceu, na minha frente, uma obra de arte (sim, uma criação dentro da alta culinária pode ser uma obra de arte):

Costeleta de vitela alla Milanese!

Sempre gostei de bife à milanesa, mas esta costeleta era muito mais do que isso.

Um osso grande que se encerrava em uma carne extremamente fina (com certeza batida até à exaustão debaixo de uma folha de papel manteiga). Porém quase do tamanho do imenso prato. Empanada em creme de leite, ovos e um misto de farinha de rosca com pedaços de pão-de-forma, quase do tamanho de croutons. Frita perfeitamente, sempre chegando à mesa na cor quase dourada. A espessura da "espécie de massa" que envolvia a carne suplantava em várias à do próprio bife.

Crocante, macio e seco. Impecável!

Acompanhado por uma porção modesta do risoto alla milanese. Aquele, bem simples, amarelinho, preparado com caldo de ossobuco, vinho branco, açafrão e parmesão (até hoje estou para comer um risoto melhor que o do Boseggia).

Este prato se tornou o meu preferido por muitos anos. Chegou a ter "cara de domingo" para mim, surrupiando o posto que sempre havia sido do macarrão com frango da minha avó (que saudade desse prato também).

Em algum momento deste período (não me lembro quando, nem onde), ouvi o Paulo Francis dizer que a Costeleta de vitela alla Milanese era um dos seus pratos preferidos e que, nem em Nova Iorque, era possível comer um "bife à milanesa" igual ao do Fasano.

Esta bobagem acabou fazendo eu me sentir um pouquinho menos distante daquela figura tão chata, que só sabia falar mal de tudo, principalmente daquilo que era brasileiro.

Eu resolvi dar uma segunda chance ao Paulo. Desta vez, comecei a ler regularmente a coluna (primeiro na Folha e depois no Estado). Meu interesse por ele foi crescendo e eu comecei a assistir o Jornal da Globo (sempre que dava) só para vê-lo falar por um ou dois minutos, mesmo daquele jeito único, auto-caricata e desprovido de qualquer apelo televisivo. E o Manhattan Connection! Assim que estreou, imediatamente, passou a ser o melhor programa de tv feito em português (não dava para perder).

A cultura do Paulo era ímpar, principalmente na área das artes, história e filosofia. Acho que poucas pessoas possuiam um nível tão profundo e abrangente como o dele. Difícil crer que alguém pudesse saber do que ele falava (na essência) 100% do tempo e 100% das vezes.

A sua postura de radical polêmico e sempre contestador era muito divertida e necessária, mas ele funcionava para mim mais como um guia educador cultural.

Como eu quase não tinha informação sobre as citações que ele fazia, a minha vontade de saber, me impelia a ir atrás de todo conhecimento novo que eu encontrava pelos caminhos das palavras do Paulo.

Quando ele falava que, na música, só existia um cara, Wagner, lá ia eu atrás de saber quem era e escutar as óperas. Quando ele abria uma exceção a Prokofiev, eu ia de novo. Às vezes eu gostava da "indicação" (no caso do Prokofiev, que realmente me emociona), às vezes, eu não consseguia gostar, nem tentando (no caso do Wagner, apesar de perceber a qualidade). Mas, em qualquer dos casos, apenas travar conhecimento com alguns temas já bastava.

Quando ele disse que Crimes e Pecados era o "único" filme do Woody Allen, eu quis ver o filme de novo e, depois, fui atrás de saber mais sobre Dostoiévski.

Quando ele citou alguém (não lembro quem) dizendo que toda filosofia se resumia a uma nota ao pé de página de Platão, fui embora tentar compreender melhor a escuridão da caverna.

Quando ele praticamente afirmou que Tom Jobim plagiava constantemente Cole Porter, eu fui atrás e pude me apaixonar pelo lirismo crítico, sensual e brincalhão das músicas do Cole. Do Tom, eu já era fã.

Quando ele atestou que Dr. Strangelove, apesar de ser uma comédia, era o melhor filme do Kubrick, passei a dar outra dimensão ao Peter Sellers, reví meus conceitos e acabei concordando.

E assim foi indo... Se minha memória me ajudasse mais, poderia continuar listando quantas coisas eu aprendi, ou me aprofundei, só por ler as colunas do Francis.

Se hoje a minha cultura é 10 (numa escala de 0 a 10.000.000), eu devo muito à minha curiosidade juntamente com as coordenadas e a produtividade (ele escrevia NO MÍNIMO 9 colunas por semana) do Paulo Francis.

Lembrando dele, fui revirar minhas coisas e acabei achando alguns recortes do Diário da Corte.

Sobre ficção:

"Só quem nunca escreveu ficção pensa que há personagens que são a cara escarrada de gente viva. Sei que é muito comum esta crença, de que o escritor copia, mas qualquer escritor sabe que não é bem assim."

(Pena que não tenha dado tempo dele assistir Deconstructing Harry, Desconstruindo Harry do Woody Allen...)

Sobre patriotismo:

"Sou assim. Apátrida. Apatriótico. No país em que vivo me adapto. Considero o nacionalismo, em última análise, uma das principais causas de nossas desgraças. Se somos nacionalistas, temos de fazer o mal ao próximo, em defesa do que julgamos nosso. Cristo e Marx sabiam disso."

"Olhe, sou apátrida. Eu não sou socialista ou católico, mas numa coisa acho que a Igreja e a Internacional Socialista estavam certas. Nação é um troço incivilizado, tribal. Sou brasileiro, sem dúvida, porque impregnado de Brasil, mas para mim o que se passa na Nicarágua, EUA ou URSS é de ígual importância. Qual é o objetivo do país fraco ao sair da fraqueza? É ficar forte para explorar e oprimir os fracos. É uma forma de anti-humanismo o nacionalismo. Exclui pessoas que falam outras línguas e que têm costumes diferentes dos nossos."

Sobre ele mesmo:

"Minha cabeça é minha matéria-prima, fábrica e produto. Fico satisfeito que alguém me leia. É um privilégio duplo. Escrevo o que quero e ainda sou pago para isso. Como Flaubert, acredito que se pode avaliar um homem pelo número de inimigos que faz e a importância de seu trabalho pelo que provoca de oposição."

"Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros e os leitores é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado."

Este mês, faz onze anos da morte de Paulo Francis. Como um grande número de ex-leitores, eu me sinto órfão. Não teve nem Jabor, nem Mainardi que desse jeito. A Veja não podia ter optado por manchete mais exata!

WAAAL!

Que saudade da Costeleta de vitela alla Milanese!

Que saudade do Diário da Corte!

UMA LAGOA, ALGUMAS LUAS, ALGUM TEMPO


O calor não era só intenso, era úmido. A temperatura incomodava até à noite. Era uma sensação de desconforto.

O único alívio era a lagoa. Não que a água estivesse sempre fresca. De fato, na maior parte do tempo, era meio morna, mas, ainda assim, propciava um agradável contraste com a estufa exterior.

Ele encerrava, praticamente, todos os seus dias com um mergulho.

PRIMEIRA VEZ

Quando chegou e notou algo novo, demorou um pouco até perceber que um outro corpo se refrescava em seus domínios. Se sentiu invadido. Mas só num primeiro momento. Pois foi só poder diferenciar as formas dela do que lhe era familiar, para o sentimento se transformar em uma expectativa agradável.

Ele foi até a margem e, depois de alguma conversa, perguntou se poderia entrar também. Mesmo as águas sendo suas, o pedido pareceu necessário.

A resposta foi crua. -Não, já estou de saída.

Ele estendeu a mão, que ela ignorou de forma natural e se levantou. Bem ao lado dele, nua.

Para ele, essa frieza já era descabida. No primerio momento em que nela pôs os seus olhos, ele já enxergou um pouco do futuro. O desfecho era certo e inabalável, porém não imediato. Ele já sabia ter que esperar e, pela resposta dela, entendeu que seria muito.

SEGUNDA VEZ

Nos dias que seguiram, o caminho até a lagoa se fez mais demorado.

Até uma noite de lua diminuindo. Ao chegar bem perto, já pôde escutar um barulhinho destoante do silêncio habitual. Quando teve certeza de que era ela, passou a sentir aquele momento de maneira física.

A inocente expectativa foi destroçada, novamente, pela atitude dela.

Assim que percebeu a presença dele, ela parou imediatamente de nadar. Foi até a borda e, sem dar tempo para ele lhe oferecer ajuda, saiu da lagoa. Passou por ele, virou a cabeça e, ao invés de oi, disse tchau.

No descontentamento que ele sentiu, a tristeza não estava sozinha. Veio acompanhada de uma raiva. Ele não respondeu. Nem se preocupou em admirar a saída dela, preferiu mergulhar e nadar, agora com força.

TERCEIRA VEZ

Já havia se passado uns sete dias sem que a visse. Ele já havia pensado em todas as possibilidades acerca do que fazer quando voltasse a encontrá-la nadando na lagoa. Já havia pensado e repensado. Mudava de idéia quase todos os dias. Já decidira que iria ficar parado bem na frente, impedindo que ela saísse da água. Depois achava melhor mergulhar logo de cara, sem pedir autorização. Chegou até a pensar em virar o rosto e ir embora assim que a visse.

Mas, desta vez, foi ela quem chegou. Ele estava preparado para qualquer situação, menos essa.

Ela parou junto a uma árvore e permaneceu, brevemente, olhando para ele.

Ele, estático, só o rosto para fora. Se pudesse, ele nem respiraria. Evitaria qualquer ação que pudesse fazê-la ir embora.

Ela fez cara de quem pensava, apertou os lábios um contra o outro, rapidamente, fez um sinal de adeus com a mão e saiu.

Ele ainda disse, bem alto: -Espera!

Mas ela nem pareceu ouvir.

A raiva crescia junto com outras vontades.

QUARTA VEZ

A tortura só aumentava. A ansiedade que antes estava presente somente na hora de chegar na lagoa, agora insistia em prersistir até o fim do mergulho.

O que antes dela era um momento de relaxamento, agora o deixava estressado.

Já estava decidido! Se, no próximo encontro, não houvesse qualquer progresso, ele deixaria de frequentar aquele espaço.

Ele não havia percebido, mas a periodicidade dela era de uma semana. E ela não falhava.

Dessa vez, a lua já estava crescendo de novo, acendendo um pouco mais a noite.

Ele já estava dentro d'água quando a avistou.

Desta vez optou por um pouco mais de empenho. Antes que ela esboçasse qualquer reação, ele já foi logo pedindo: -Fica um pouco, por favor!

Ela sorriu e disse: -Tudo bem, mas só vou entrar, se você sair.

Ele concordou, flutuou mais um pouco e foi se sentar na margem, junto a ela.

Ele se aproximou e ela imediatamente levantou, saiu de perto, tirou a roupa e entrou na água.

Além da distância imposta, não havia outras defesas. As palavras, agora, estavam livres para entrar e sair.

O ânimo foi crescendo até ser impossível segurar o pedido: -Deixa eu entrar!

Foi o que bastou. Ela disse não e já foi saindo. Ele sabia que não iria conseguir impedí-la, então preferiu oferecer a mão. Dessa vez ela aceitou, mas foi só.

Ela se vestiu e, já saindo, quando parecia que não iria nem se despedir, deixou escapar: -Semana que vem!

Ele sorriu, profundamente, e nada respondeu.

ULTIMA VEZ

Depois de toda a demora que o relativo tempo lhe impôs, o dia chegou.

A lua enorme, de reflexo quase prateado, havia alterado a cor da superfície da lagoa.

A estética do lugar talvez nem fosse culpa da lua, mas, quem sabe, dos olhos dele. Tanto fazia.

Ela já esperava por ele. Quando o viu, apenas se levantou e esticou os dois braços, dizendo: -Vem!

Ele tentou disfarçar a velocidade, mas o percurso até ela se encerrou com uma rapidez suspeita.

Primeiro um abraço. firme e demorado. Depois um beijo, a princípio, delicado. A tensão, crescente.

Ele adquiriu apenas uma certeza, a de que não queria que, para esta noite, chegasse o fim.

Ela, não via a hora...

28 de jan. de 2008

JUNO


É o novo filme do diretor Jason Reitman de Obrigado por fumar (2005) (muito bom também).

Apesar de ter realizado um ótimo trabalho, seria mais justo dizer que é o novo filme da atriz Ellen Page. Ela consegue chamar a atenção para a sua atuação, mesmo diante de um todo (resto do elenco inclusive) bem acima da média.

Juno foi indicado ao Oscar de melhor filme, diretor, roteiro original e, é claro, atriz principal. Não deve haver a menor possibilidade de levar os dois principais prêmios (filme e diretor), ainda mais num ano que tem obras como There will be blood do P. T. Anderson (não vi ainda, mas já sei que vou achar espetacular), mas não seria absurdo levar o Oscar de melhor roteiro (Diablo Cody - ex-stripper e em seu primeiro roteiro!), muito menos o de melhor atriz.

Tirando esta besteira de papo de Oscar (sem querer, sempre acabo me contagiando...), o filme é uma saborosa comédia dramática (muito mais comédia do que drama), sobre uma adolescente de 16 anos que engravida e decide doar o bebê para um casal que não pode ter filhos.

Os diálogos são impressionantes. Ágeis (e muito velozes), inteligentes e engraçados quase que o tempo todo. Penso ter sido uma tarefa ingrata, para não dizer quase impossível, a de quem legendou este filme (esta tradução deve ficar mais distante da obra original do que a média!).

O maior mérito da roteirista e do diretor está em conseguir uma abordagem fresca, leve e completamente original sobre a gravidez na adolescência.

E a personagem principal é um caso raro de conjunção de papel especialmente bem escrito com interpretação soberbamente inspirada.

Essa menina que já está quase fazendo 21, mas passou muito bem por 16 no filme, tem uma filmografia extensa, embora restrita no Brasil. Por aqui, não estou bem certo, mas acho que só passaram Menina má.com (outra vez excelente) e X-man 3.

Muito talento em tão pouco tamanho (ela mede 1,55 cm). É preciso ver para crer!

18 de jan. de 2008

AMOR É PROSA, SEXO É POESIA



A frase do título é do Jabor. Ela inspirou uma música da Rita Lee e, por causa da música, acabou servindo de título ao livro de crônicas do próprio Jabor.

O livro é muito bom! Só li 3 crônicas até agora, mas já dá para dizer que eu prefiro o Arnaldo escrevendo sobre comportamento do que sobre política.

Mas esse post não é sobre o livro. Apenas achei que o título se encaixava...

O fato é que depois de mais de uma década (literalmente), eu escrevi uma poesia.

Ela veio inteira em 30 minutos, quase que definitiva (cada vez que eu leio, quero mudar algo, mas acho que vai ser assim para sempre). Sentado numa sala de espera onde as revistas eram velhas e o meu aparelhinho de escutar música não estava. Foi escrita em papel de rascunho com a caneta da recepcionista.

Não é boa! Eu posso não saber escrever, mas ler eu sei...

Ela pode ser infantil, brega, pobre, ou até idiota.

Mas...

Ela é minha e, em algum lugar, eu consegui achar uma forma de me orgulhar um pouquinho dela...

Aí vai...

CORPO APRESSADO

Em cada estrela, lá no céu
Seja a lua ou um cometa
Em cada palavra, posta no papel
Escondido, no fundo da gaveta
Em cada cena de cinema
Cada praia, Barra ou Ipanema
Meu cérebro impreciso
Só vê o teu sorriso...

Em cada planta no jardim
Roupa no varal
Em cada noite sem fim
Diferente, mas igual
Em cada panela no fogão
Cada linha da minha mão
O seu nome num letreiro
Eu não esqueço do teu cheiro...

Em cada gesto teu
O seu coração fechado
Em cada erro meu
Se não olho para o lado
Em cada chance perdida
Cada volta sem ida
Naquele espelho, o teu rosto
E eu ainda sinto o teu gosto...

Em cada dia sem te ver
Fim de semana viajando
Em cada anoitecer
É você quem vai guiando
Em cada cama que eu deito
Cada lembrança do seu jeito
Eu sei que já tô morto
Mas sinto falta do teu corpo...

17 de jan. de 2008

A HERANÇA DO REI!


Vou contar uma história...

Também estou precisando ouvir.

Mas é preciso acreditar!

Apesar da falta de embasamento histórico, os fatos realmente aconteceram.

Foi num reino cujo nome me foge. Muito tempo atrás. Muito mesmo!

Era um tempo tão antigo, que esse era o único reino do universo.

Mas o seu povo já estava bastante desenvolvido, seja em pensamentos, seja em realizações. Até hoje, muitas coisas, que lá ocorreram, não podem ser explicadas.

Nesse reino, muito próspero e incrivelmente rico, havia, é claro, um rei. O nome do rei eu também não lembro. (na verdade, eu não lembro de nenhum nome...)

Mas esse rei era o ser mais poderoso e rico do universo. (porque não?)

Ele já estava com os seus 80 anos e só então havia conseguido produzir o seu primeiro herdeiro.

Como já sabia estar perto da morte, o rei começou a pensar na herança de seu rebento.

Chamou o seu principal conselheiro e perguntou o que deveria fazer para deixar o príncipe bem após a sua morte.

O conselheiro tratou de tranquilizá-lo, dizendo que não havia como o príncipe não ficar bem, uma vez que herdaria toda a fortuna e todo o poder do pai.

Antes que o rei pudesse ficar tranquilo, a mãe da criança interveio e, de baixo de sua frágil figura de mulher de 20 anos, soube ser mais sábia do que os homens ali presentes.

Para a sorte da criança, ela explicou não serem suficientes a riqueza e o poder. O filho precisava de algo imaterial, algo que lhe confortasse nos dias ruins e lhe alertasse nos dias bons.

Pois todos nós temos dias bons e dias ruins...

O rei, após demitir sumariamente e mandar decapitar o conselheiro, mandou reunir todos os sábios do reino, para que ele pudesse fazer uma requisição.

Veio gente de todo tipo (uma vez que o reino se estendia por todo o planeta). Vieram brancos, negros, amarelos, vermelhos e misturados.

Quando todos estavam reunidos em um dos salões do castelo, o rei fez o anúncio de que era preciso ser feita a maior pesquisa da história. Deveriam ser examinados todos os estudos relevantes acerca de todas as áreas do pensamento moderno (para a época, é claro).

E, após o estudo, os sábios deveriam oferecer, como conclusão, a herança imaterial do príncipe. Sendo que precisava ser algo que O CONFORTASSE NOS TEMPOS RUINS E O ALERTASSE NOS TEMPOS BONS.

Mãos à obra!

Depois de quase seis meses de trabalho, quase sem descanso, os mais de 1000 sábios convocaram o rei para mostrar o resultado do estudo.

Ao rei foi apresentado uma magnífica obra de 1758 volumes, cada um com cerca de 500 páginas. Eles garantiram que não havia qualquer justificativa filosófica já pensada, que na obra não constasse.

O rei ficou rubro de raiva. Precisou respirar um pouco para conseguir dizer que tudo aquilo era inútil. Como que, num momento de alegria, ou de tristeza, o príncipe iria ter a paciência de consultar uma obra de tamanha extensão? Depois de pronunciar várias palávras que não vêm ao caso, ele ordenou que os estudos prosseguissem e que os sábios conseguissem ser mais concisos.

Depois de mais alguns meses, outro resultado dos trabalhos foi mostrado ao rei. Agora era uma obra de 3 volumes cada um com cerca de 300 páginas, com um índice muito prático e com a garantia que tudo de mais importante sobre o conhecimento humano lá se encontrava.

O rei, um pouco mais impaciente, recusou de pronto e, como justificativa, explicou que o problema continuava o mesmo. Teria que ser buscada uma concisão ainda maior.

Mais tempo, mais estudos e a obra diminuindo. Dois volumes, um somente, um pequeno, um bem pequeno, uma grande folha de papel apenas, até uma pequena, com a síntese da síntese.

Quando o rei estava prestes a se contentar com a pequenina folha de papel, do meio da multidão, uma figura se esforça para chamar a atenção do rei. Ao ser notado, ele é convidado a se aproximar da magestade.

Frente ao rei surge um homem de 60 anos, bem moreno, cabelo preto e muito liso, assim como os seus volumosos bigodes, vestindo uma túnica branca, ele entrega ao rei uma caixinha bem pequena, tudo sem mencionar uma só palavra.

O rei pega a caixinha, a abre e, de dentro dela, tira um anel com 3 palávras gravadas.

Após ler o que estava escrito, ele sorri, mostra à esposa (que sorri mais ainda) e manda chamar o seu braço-direito para anunciar que, ao homem estranho que lhe dera o anel, deveria ser concedida a realização de todos, absolutamente todos, os seus desejos.

No anel, que por sinal era de um latão bem vagabundo, estava escrito:

ISTO TAMBÉM PASSARÁ!

ANTES QUE ELE SE VÁ...



Quem me conhece sabe que eu não sou o tipo de pessoa que fica enviando piadas por email. (Não que tenha alguma coisa errada com isso!)

Mas essa piada é muito boa. Conheço ela há anos, desde o começo da invasão do Iraque pelos EUA. Não dá para traduzir, tem que ser em inglês. Acho que seu efeito será maior enquanto ainda na gestão Bush. Por isso, aí vai...

Donald Rumsfeld gave his usual daily briefing to President Bush this morning, and told him that 3 Brazilian soldiers had died in Iraq last night.

The President was surprisingly visibly shaken. Oh my God!, he said. All the color drained from his face. He slumped back down in his chair and put his head in his hands.

And, after a minute or so, when he was finally able to regain his composure, he looked up at Rumsfeld and asked,

"Exactly how many is a Brazilian?"

2 de jan. de 2008

TRÊS, DUAS OU UMA...


Todos nós andamos pela vida de bicicleta ou de triciclo!

A maioria esmagadora prefere andar com um triciclo.

Alguns poucos, como eu, andam de bicicleta (sendo que, em alguns momentos, eu chego a andar com uma roda só...).

Quando uma pessoa que anda de triciclo encontra uma que anda de bicicleta, surge um certo impasse.

Porque uma pessoa sempre quer aprender e ensinar...

A pessoa que anda na bike pode ensinar a que anda de triciclo. O perigo é que se aprender, ela nunca mais vai andar no triciclo de novo.

Já a que anda no triciclo também pode ensinar a que anda de bike. Nesse caso, o aprendizado é quase instantâneo. Após aprendido, ela dá algumas voltas no triciclo (mostra que aprendeu, ou melhor, que a outra ensinou), larga o triciclo no chão e volta para o conforto da bike, para nunca mais largar.

Quem nunca andou (pela vida) de bicicleta, certamente, não vai entender o que estou dizendo.

Não tem problema!

A vida é bela seja qualquer o veículo!

Mas aconselho: se tiver a sorte de encontrar alguém que saiba andar fluentemente de bicicleta (e esteja disposto a ensinar), não perca a oportunidade...

TRILHA SONORA




Cada um se utiliza da música de uma forma diferente.

Para passar o tempo, para ter "companhia", para criar um clima, para acessar uma memória (de alguém, de algum lugar, etc.), para ajudar a se concentrar, só para dançar, para cantar, ou qualquer outra coisa...

Comigo não é diferente. Eu utilizo a música pela emoção que ela me provoca.

Portanto, se a música não me toca (seja da forma que for), ela não serve (pelo menos para mim).

Show do Nando Reis - Noites Cariocas no Pier Mauá



Surpreendente! Muita sensibilidade e energia juntas...

Já admirava e respeitava o cara, mas agora virei fã! (Eu sou assim! O que é que eu vou fazer?)

Senti muitas emoções durante o show! Para mim foi espetacular!

Além da banda e da energia das músicas, o mais foda é a qualidade, profundidade e sensibilidade das letras.

Durante o show, eu parei para prestar atenção e acabei me encantando com alguns versos:

"Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios"

"Amor, eu sinto a sua falta
E a falta é a morte da esperança...
... a vida é mesmo coisa muito frágil
Uma bobagem, uma irrelevância
Diante da eternidade do amor de quem se ama"

"Ponho os meus olhos em você
Se você está, dona dos meus olhos é você
Avião no ar
Um dia pr'esses olhos sem te ver
É como chão no mar"

"O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou!
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou...

...Sobe a lua porque longe vai?
Corre o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite

Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for"

Conclusão: O MUNDO É BÃO, SEBASTIÃO... O MUNDO É MEU, SEBASTIÃO!

Mas, no meio de uma das músicas (não lembro qual), o Nando emendou com o refrão de uma das músicas mais lindas do Bob Marley, 'Waiting in vain".

Os meus sentimentos naquele momento, essa música, aqueles exatos versos na voz doce e bem pronunciada do Nando, depois de várias músicas muito agitadas, foi foda!

Ponto alto do show! Eu, destruído...

1 de jan. de 2008

PROTEGIDO PELO UNIVERSO


Quase meia-noite!

Nenhuma núvem no céu.

Copa lotada!

"Meismo" assim, uma sensação de paz insistia em conviver com a ansiedade e a euforia das pessoas...

Já passei tanto tempo de minha vida no Rio que é meio surreal que minha primeira passagem de ano em Copa só tenha acontecido agora.

Antes tarde do que nunca... Isto serve para tudo!

De repente, um puta estouro de fogos!

Começo apoteótico (se é que isto é possível)!

Arrepios, muitos! Sem focar no que eu estava olhando, começo a enxergar algumas coisas da minha vida.

Eu totalmente careta AINDA!

Só, mas protegido!

Este é o sentimento.

Fruto de uma energia que eu não compreendo bem AINDA... (Eu disse AINDA)

Olhos carregados, ninguém vai ver...

Tudo deve ter uma explicação (assim eu penso), mas não encontro nenhuma para tanta segurança num momento de tantos espaços em branco...

Irmão, amigos, multidão e eu, só eu...

Sem beber, sem pular ondinhas...

Cigarro jogado fora (resolvi tentar parar bem na virada)!

Vazio, vazios, eletricidade no talo...

Já estou inteiro, só que, agora, com a certeza da proteção...

Um dia eu vou entender...

Chega de fogos! Chega de Copa! Chega de pensar!

Fuck it all!...

Vamos para o hotel tirar a areia!

E para chegar na festa! Foda!

Chegamos às 3:00...

Vista fora do comum (morro do Joá)!

Casa linda, festa especial, pelo menos para mim...

Não teve jeito! Lá se foi a tentativa pelo ralo...

3:15 e eu já pedia o primeiro cigarro (acho que eu devo um maço inteiro...)

Resolvi tentar, vou continuar tentanto e sei que vou conseguir, AINDA esse ano!

Tá tudo certo!

Tem muita gente olhando para mim!

Tem muita gente olhando por mim!

Nem precisava tanto!

Eu só posso aceitar e agradecer...

31 de dez. de 2007

NEW YEAR... NEW LIFE!



Sentei para escrever um post, sem mesmo saber o que. Sem inspiração!

Estou no Rio, no lobby do hotel. Meu Irmão dormindo no sofá! Estamos esperando começarem a servir o café da manhã! Cliquei em criar postagem e no rádio começou a tocar Roberto Carlos (eu voltei, agora para ficar, porque aqui, aqui é meu lugar...).

É isso! Este ano que acaba marcou a minha volta à vida! E 2008 será TUDO novo! Que sorte eu tenho de poder redirecionar a minha vida totalmente! Sei que não é para todo mundo!

Que este ano seja melhor que 2007! Para mim, isto é quase certo!

E o rádio não para com o Rei! Já é a terceira música seguida...

Agora já está ficando difícil de aguentar!

Por isso esse post acaba aqui...

27 de dez. de 2007

READY TO TAKE A CHANCE AGAIN

GOLPE SUJO - FOUL PLAY (1978)

Em cada época, eu sempre tive filmes preferidos. O primeiro foi um dos trapalhões (nem lembro qual). Este foi o segundo.

A primeira vez que assisti foi mais ou menos em 1980. Ele permaneceu no topo para mim até 1984 quando surgiu Flashdance (Jennifer Beals tirando o sutiã sem tirar a roupa - Humm...) . Porém, nunca perdi o carinho por ele.

Foi a melhor coisa que o diretor/roteirista Colin Higgins fez (não que ele tenha feito muitas). É uma comédia (muito engraçada), com toques bem colocados de romance e de suspense. A trama é muito bem escrita e conduzida. No seu desenrolar, o diretor consegue manter a evolução do amor e do mistério, sem perder, quase que em nenhum momento, o tempo da comédia. Os momentos de ação, principalmente no clímax, também são muito bem feitos, sendo eletrizantes e engraçados ao mesmo tempo. As locações em São Francisco são perfeitas. A trilha sonora é divertidíssima, com destaque para Barry Manilow, que foi, inclusive, indicado ao Oscar de melhor música (Ready to Take a Chance Again) em 1979. No Globo de Ouro do mesmo ano, concorreu em todas as principais categorias.

O elenco é primoroso. Pode ser difícil de acreditar, mas Chevy Chase (há muito tempo, muito patético) estava no auge (logo após deixar o Saturday Night Live). Com uma interpretação cômica, mas sem exageros, ele conseguiu tranmitir uma química nada convencional com a sua parceira Goldie Hawn.

E a Goldie, também no momento mais feliz de sua carreira, bela e sensual. Hilária e linda antes de todas as plásticas que deformaram o seu rosto. Dá até para ver onde a Kate Hudson foi buscar o seu DNA.

Além da dupla de protagonistas, o elenco de suporte também está para lá de correto. Sendo que o Dudley Moore, nas poucas cenas em que aparece, rouba todas as atenções sempre. Provavelmente este foi seu melhor papel, mesmo considerando os seus trabalhos posteriores como protagonista de algumas comédias blockbusters.

Faz tempo que eu não assisto, mas lembrei, meio que do nada, desta música e o filme veio todinho na minha mente. Me deu saudade.

Quem não viu, veja! Quem já viu, faça como eu, esteja pronto para dar uma chance de novo.



23 de dez. de 2007

NATAL

Eu não curto... Muito menos as músicas!

Mas dá para abrir uma exceção!

22 de dez. de 2007

Y L ! ...


I don't want to...

Really don't!

But i have to...

It's this fucking day!

Can't just let it pass...

Wish i could!

But i can't...

So, here it goes!

You're the only thing that makes sense...

Just ignore all this present tense!

CINDERELLA



Sem qualquer comentário! Só digo uma coisa: bem feito!

REALIZE - COLBIE CAILLAT



A menina é californiana e tem 22 anos. Seu primeiro álbum (Coco - 2007) meio que estourou. Ela é compositora, tem uma voz bem gostosa e canta muito bem.

A música Bubbly não para de tocar (daqui a pouco a gente enjoa).

O cd inteiro é ótimo, daqueles que não precisa pular nenhuma faixa, é só deixar rolar. Bem tranquilo, talvez romântico demais, mas perfeito para ser curtido com calma.

Está música (Realize) está entre as mais melosas, mas é a minha preferida...

21 de dez. de 2007

NIETZSCHE SAID!

Se um homem tiver realmente muita fé, pode dar-se ao luxo de ser cético.

I say:

Tá explicada a razão do meu exagerado ceticismo!