D E S N E C E S S A R I E D A D E S

29 de jan. de 2008

WAAAL


Esses dias eu comi um bife à milanesa. Fazia tempo. Tanto tempo, que esta refeição ordinária me levou longe em pensamentos...

Quando eu era um adolescente (década de 80), Paulo Francis era o cara. Eu não tinha noção do porquê. Mas queria saber.

Polêmico, politicamente incorreto (tudo bem que era antes de ser inadmissível tal postura), mas super respeitado.

Os mais velhos e profundos eram os únicos e poucos que o acusavam de uma certa futilidade na escolha de temas. A turma mais à esquerda não o engolia (e isso era mais do que recíproco). Mas o resto, a grande média do público leitor, quase o punha num pedestal.

E eu nem sabia porque. Mas queria.

Para resolver esse problema, comprei a Folha. O meu medo não era não gostar, mas sim não entender.

Eu lí então, pela primeira vez, uma coluna dele. Na época eu fiquei na dúvida se não havia gostado por não ter entendido, ou se simplesmente não havia gostado.

Hoje vejo que não dei sorte. Aquela primeira coluna escolhida, ao acaso, realmente era bem chata. Não esqueço até hoje. Em quase uma página de jornal, Paulo Francis descrevia dois problemas cotidianos e banais de sua vida em Nova Iorque. Ele se mostrava indignado com o menino que entregara o seu jornal, num dia de chuva, sem o devido plástico. Depois, a irritação mudava de alvo, para a funcionária de uma empresa de cartão de crédito que estava querendo lhe oferecer mais um cartão (numa época em que, no Brasil, não era assim).

Eu lí e desisti de gostar do Paulo Francis. Por um bom tempo, ficou assim.

Nesta mesma década, Rogério Fasano decidiu reabrir o Fasano. primeiro, ele começou na rua Amauri, depois foi para a Haddok Lobo, onde tudo passou a ser grandioso.

Da Itália ele trouxe Luciano Boseggia. Com certeza foi um desafio, pois, na época (1985), não se podia encontrar os ingredientes adequados por aqui.

E do Ca'd'oro ele trouxe várias estrelas da equipe do salão. As duas maiores foram o Seu Ático e o Seu Piero. O primeiro chegou a ter o status de melhor maitre do Brasil, era brasileiro legítimo, de pele morena, quase idoso, de educação sofrida, não falava o português perfeitamente. O segundo, não teve a mesma fama (embora viesse logo atrás), italiano legítimo, pele pálida, certa idade, de boa formação, não falava o português perfeitamente.

Os dois já me conheciam desde bem pequeno, quando eu ia, muito à revelia, ao Ca'd'oro com minha família.

O Seu Ático me assustava um pouco. Ele é quem se encarregava de servir o Gran Bolito (também no Fasano e, mais tarde, no Parigi). Este cozido italiano fica sempre no salão, num carrinho aquecido, de onde saem várias carnes que são fatiadas na hora e servidas com alguns molhos e acompanhada de repolho, batata doce e outras raizes e legumes. Ver ele segurando um garfo espetado numa língua imensa, não era uma imágem que uma criança pudesse curtir muito.

Nunca vi o Seu Piero numa cena dessa.

Ná época do Fasano, eu comecei a descobrir os prazeres da comida. Não ia mais contrariado, até pedia para ir. Já preferia a sensação única de cada sabor, àquela de apenas matar a fome.

O Seu Ático não percebia isso, continuava a me tratar apenas como uma criança sem personalidade. Mas o Seu Piero sempre depositava confiança no meu paladar. Por isso, eu sempre pedia para ele escolher o que eu iria comer. Ele sempre respondia da mesma forma: -Acho que hoje o menino vai gostar de provar o... (isto continuou até quando eu, já adulto, ia de terno em um almoço de trabalho)

Com o Seu Piero, eu descobri os sabores mais marcantes da culinária italiana. Foi ele quem me introduziu à polenta cremosa, ao funghi porcini, ao ossobucco, ao queijo mascarpone, às trufas, entre outros ingrediantes que hoje já fazem parte das minhas opções gastronômicas.

Numa dessas indicações é que apareceu, na minha frente, uma obra de arte (sim, uma criação dentro da alta culinária pode ser uma obra de arte):

Costeleta de vitela alla Milanese!

Sempre gostei de bife à milanesa, mas esta costeleta era muito mais do que isso.

Um osso grande que se encerrava em uma carne extremamente fina (com certeza batida até à exaustão debaixo de uma folha de papel manteiga). Porém quase do tamanho do imenso prato. Empanada em creme de leite, ovos e um misto de farinha de rosca com pedaços de pão-de-forma, quase do tamanho de croutons. Frita perfeitamente, sempre chegando à mesa na cor quase dourada. A espessura da "espécie de massa" que envolvia a carne suplantava em várias à do próprio bife.

Crocante, macio e seco. Impecável!

Acompanhado por uma porção modesta do risoto alla milanese. Aquele, bem simples, amarelinho, preparado com caldo de ossobuco, vinho branco, açafrão e parmesão (até hoje estou para comer um risoto melhor que o do Boseggia).

Este prato se tornou o meu preferido por muitos anos. Chegou a ter "cara de domingo" para mim, surrupiando o posto que sempre havia sido do macarrão com frango da minha avó (que saudade desse prato também).

Em algum momento deste período (não me lembro quando, nem onde), ouvi o Paulo Francis dizer que a Costeleta de vitela alla Milanese era um dos seus pratos preferidos e que, nem em Nova Iorque, era possível comer um "bife à milanesa" igual ao do Fasano.

Esta bobagem acabou fazendo eu me sentir um pouquinho menos distante daquela figura tão chata, que só sabia falar mal de tudo, principalmente daquilo que era brasileiro.

Eu resolvi dar uma segunda chance ao Paulo. Desta vez, comecei a ler regularmente a coluna (primeiro na Folha e depois no Estado). Meu interesse por ele foi crescendo e eu comecei a assistir o Jornal da Globo (sempre que dava) só para vê-lo falar por um ou dois minutos, mesmo daquele jeito único, auto-caricata e desprovido de qualquer apelo televisivo. E o Manhattan Connection! Assim que estreou, imediatamente, passou a ser o melhor programa de tv feito em português (não dava para perder).

A cultura do Paulo era ímpar, principalmente na área das artes, história e filosofia. Acho que poucas pessoas possuiam um nível tão profundo e abrangente como o dele. Difícil crer que alguém pudesse saber do que ele falava (na essência) 100% do tempo e 100% das vezes.

A sua postura de radical polêmico e sempre contestador era muito divertida e necessária, mas ele funcionava para mim mais como um guia educador cultural.

Como eu quase não tinha informação sobre as citações que ele fazia, a minha vontade de saber, me impelia a ir atrás de todo conhecimento novo que eu encontrava pelos caminhos das palavras do Paulo.

Quando ele falava que, na música, só existia um cara, Wagner, lá ia eu atrás de saber quem era e escutar as óperas. Quando ele abria uma exceção a Prokofiev, eu ia de novo. Às vezes eu gostava da "indicação" (no caso do Prokofiev, que realmente me emociona), às vezes, eu não consseguia gostar, nem tentando (no caso do Wagner, apesar de perceber a qualidade). Mas, em qualquer dos casos, apenas travar conhecimento com alguns temas já bastava.

Quando ele disse que Crimes e Pecados era o "único" filme do Woody Allen, eu quis ver o filme de novo e, depois, fui atrás de saber mais sobre Dostoiévski.

Quando ele citou alguém (não lembro quem) dizendo que toda filosofia se resumia a uma nota ao pé de página de Platão, fui embora tentar compreender melhor a escuridão da caverna.

Quando ele praticamente afirmou que Tom Jobim plagiava constantemente Cole Porter, eu fui atrás e pude me apaixonar pelo lirismo crítico, sensual e brincalhão das músicas do Cole. Do Tom, eu já era fã.

Quando ele atestou que Dr. Strangelove, apesar de ser uma comédia, era o melhor filme do Kubrick, passei a dar outra dimensão ao Peter Sellers, reví meus conceitos e acabei concordando.

E assim foi indo... Se minha memória me ajudasse mais, poderia continuar listando quantas coisas eu aprendi, ou me aprofundei, só por ler as colunas do Francis.

Se hoje a minha cultura é 10 (numa escala de 0 a 10.000.000), eu devo muito à minha curiosidade juntamente com as coordenadas e a produtividade (ele escrevia NO MÍNIMO 9 colunas por semana) do Paulo Francis.

Lembrando dele, fui revirar minhas coisas e acabei achando alguns recortes do Diário da Corte.

Sobre ficção:

"Só quem nunca escreveu ficção pensa que há personagens que são a cara escarrada de gente viva. Sei que é muito comum esta crença, de que o escritor copia, mas qualquer escritor sabe que não é bem assim."

(Pena que não tenha dado tempo dele assistir Deconstructing Harry, Desconstruindo Harry do Woody Allen...)

Sobre patriotismo:

"Sou assim. Apátrida. Apatriótico. No país em que vivo me adapto. Considero o nacionalismo, em última análise, uma das principais causas de nossas desgraças. Se somos nacionalistas, temos de fazer o mal ao próximo, em defesa do que julgamos nosso. Cristo e Marx sabiam disso."

"Olhe, sou apátrida. Eu não sou socialista ou católico, mas numa coisa acho que a Igreja e a Internacional Socialista estavam certas. Nação é um troço incivilizado, tribal. Sou brasileiro, sem dúvida, porque impregnado de Brasil, mas para mim o que se passa na Nicarágua, EUA ou URSS é de ígual importância. Qual é o objetivo do país fraco ao sair da fraqueza? É ficar forte para explorar e oprimir os fracos. É uma forma de anti-humanismo o nacionalismo. Exclui pessoas que falam outras línguas e que têm costumes diferentes dos nossos."

Sobre ele mesmo:

"Minha cabeça é minha matéria-prima, fábrica e produto. Fico satisfeito que alguém me leia. É um privilégio duplo. Escrevo o que quero e ainda sou pago para isso. Como Flaubert, acredito que se pode avaliar um homem pelo número de inimigos que faz e a importância de seu trabalho pelo que provoca de oposição."

"Dizem que ofendo as pessoas. É um erro. Trato as pessoas como adultas. Critico-as. É tão incomum isso na nossa imprensa que as pessoas acham que é ofensa. Crítica não é raiva. É crítica. Às vezes é estúpida. O leitor que julgue. Acho que quem ofende os outros e os leitores é o jornalismo em cima do muro, que não quer contestar coisa alguma. Meu tom às vezes é sarcástico. Pode ser desagradável. Mas é, insisto, uma forma de respeito, ou, até, se quiserem, a irritação do amante rejeitado."

Este mês, faz onze anos da morte de Paulo Francis. Como um grande número de ex-leitores, eu me sinto órfão. Não teve nem Jabor, nem Mainardi que desse jeito. A Veja não podia ter optado por manchete mais exata!

WAAAL!

Que saudade da Costeleta de vitela alla Milanese!

Que saudade do Diário da Corte!

UMA LAGOA, ALGUMAS LUAS, ALGUM TEMPO


O calor não era só intenso, era úmido. A temperatura incomodava até à noite. Era uma sensação de desconforto.

O único alívio era a lagoa. Não que a água estivesse sempre fresca. De fato, na maior parte do tempo, era meio morna, mas, ainda assim, propciava um agradável contraste com a estufa exterior.

Ele encerrava, praticamente, todos os seus dias com um mergulho.

PRIMEIRA VEZ

Quando chegou e notou algo novo, demorou um pouco até perceber que um outro corpo se refrescava em seus domínios. Se sentiu invadido. Mas só num primeiro momento. Pois foi só poder diferenciar as formas dela do que lhe era familiar, para o sentimento se transformar em uma expectativa agradável.

Ele foi até a margem e, depois de alguma conversa, perguntou se poderia entrar também. Mesmo as águas sendo suas, o pedido pareceu necessário.

A resposta foi crua. -Não, já estou de saída.

Ele estendeu a mão, que ela ignorou de forma natural e se levantou. Bem ao lado dele, nua.

Para ele, essa frieza já era descabida. No primerio momento em que nela pôs os seus olhos, ele já enxergou um pouco do futuro. O desfecho era certo e inabalável, porém não imediato. Ele já sabia ter que esperar e, pela resposta dela, entendeu que seria muito.

SEGUNDA VEZ

Nos dias que seguiram, o caminho até a lagoa se fez mais demorado.

Até uma noite de lua diminuindo. Ao chegar bem perto, já pôde escutar um barulhinho destoante do silêncio habitual. Quando teve certeza de que era ela, passou a sentir aquele momento de maneira física.

A inocente expectativa foi destroçada, novamente, pela atitude dela.

Assim que percebeu a presença dele, ela parou imediatamente de nadar. Foi até a borda e, sem dar tempo para ele lhe oferecer ajuda, saiu da lagoa. Passou por ele, virou a cabeça e, ao invés de oi, disse tchau.

No descontentamento que ele sentiu, a tristeza não estava sozinha. Veio acompanhada de uma raiva. Ele não respondeu. Nem se preocupou em admirar a saída dela, preferiu mergulhar e nadar, agora com força.

TERCEIRA VEZ

Já havia se passado uns sete dias sem que a visse. Ele já havia pensado em todas as possibilidades acerca do que fazer quando voltasse a encontrá-la nadando na lagoa. Já havia pensado e repensado. Mudava de idéia quase todos os dias. Já decidira que iria ficar parado bem na frente, impedindo que ela saísse da água. Depois achava melhor mergulhar logo de cara, sem pedir autorização. Chegou até a pensar em virar o rosto e ir embora assim que a visse.

Mas, desta vez, foi ela quem chegou. Ele estava preparado para qualquer situação, menos essa.

Ela parou junto a uma árvore e permaneceu, brevemente, olhando para ele.

Ele, estático, só o rosto para fora. Se pudesse, ele nem respiraria. Evitaria qualquer ação que pudesse fazê-la ir embora.

Ela fez cara de quem pensava, apertou os lábios um contra o outro, rapidamente, fez um sinal de adeus com a mão e saiu.

Ele ainda disse, bem alto: -Espera!

Mas ela nem pareceu ouvir.

A raiva crescia junto com outras vontades.

QUARTA VEZ

A tortura só aumentava. A ansiedade que antes estava presente somente na hora de chegar na lagoa, agora insistia em prersistir até o fim do mergulho.

O que antes dela era um momento de relaxamento, agora o deixava estressado.

Já estava decidido! Se, no próximo encontro, não houvesse qualquer progresso, ele deixaria de frequentar aquele espaço.

Ele não havia percebido, mas a periodicidade dela era de uma semana. E ela não falhava.

Dessa vez, a lua já estava crescendo de novo, acendendo um pouco mais a noite.

Ele já estava dentro d'água quando a avistou.

Desta vez optou por um pouco mais de empenho. Antes que ela esboçasse qualquer reação, ele já foi logo pedindo: -Fica um pouco, por favor!

Ela sorriu e disse: -Tudo bem, mas só vou entrar, se você sair.

Ele concordou, flutuou mais um pouco e foi se sentar na margem, junto a ela.

Ele se aproximou e ela imediatamente levantou, saiu de perto, tirou a roupa e entrou na água.

Além da distância imposta, não havia outras defesas. As palavras, agora, estavam livres para entrar e sair.

O ânimo foi crescendo até ser impossível segurar o pedido: -Deixa eu entrar!

Foi o que bastou. Ela disse não e já foi saindo. Ele sabia que não iria conseguir impedí-la, então preferiu oferecer a mão. Dessa vez ela aceitou, mas foi só.

Ela se vestiu e, já saindo, quando parecia que não iria nem se despedir, deixou escapar: -Semana que vem!

Ele sorriu, profundamente, e nada respondeu.

ULTIMA VEZ

Depois de toda a demora que o relativo tempo lhe impôs, o dia chegou.

A lua enorme, de reflexo quase prateado, havia alterado a cor da superfície da lagoa.

A estética do lugar talvez nem fosse culpa da lua, mas, quem sabe, dos olhos dele. Tanto fazia.

Ela já esperava por ele. Quando o viu, apenas se levantou e esticou os dois braços, dizendo: -Vem!

Ele tentou disfarçar a velocidade, mas o percurso até ela se encerrou com uma rapidez suspeita.

Primeiro um abraço. firme e demorado. Depois um beijo, a princípio, delicado. A tensão, crescente.

Ele adquiriu apenas uma certeza, a de que não queria que, para esta noite, chegasse o fim.

Ela, não via a hora...

28 de jan. de 2008

JUNO


É o novo filme do diretor Jason Reitman de Obrigado por fumar (2005) (muito bom também).

Apesar de ter realizado um ótimo trabalho, seria mais justo dizer que é o novo filme da atriz Ellen Page. Ela consegue chamar a atenção para a sua atuação, mesmo diante de um todo (resto do elenco inclusive) bem acima da média.

Juno foi indicado ao Oscar de melhor filme, diretor, roteiro original e, é claro, atriz principal. Não deve haver a menor possibilidade de levar os dois principais prêmios (filme e diretor), ainda mais num ano que tem obras como There will be blood do P. T. Anderson (não vi ainda, mas já sei que vou achar espetacular), mas não seria absurdo levar o Oscar de melhor roteiro (Diablo Cody - ex-stripper e em seu primeiro roteiro!), muito menos o de melhor atriz.

Tirando esta besteira de papo de Oscar (sem querer, sempre acabo me contagiando...), o filme é uma saborosa comédia dramática (muito mais comédia do que drama), sobre uma adolescente de 16 anos que engravida e decide doar o bebê para um casal que não pode ter filhos.

Os diálogos são impressionantes. Ágeis (e muito velozes), inteligentes e engraçados quase que o tempo todo. Penso ter sido uma tarefa ingrata, para não dizer quase impossível, a de quem legendou este filme (esta tradução deve ficar mais distante da obra original do que a média!).

O maior mérito da roteirista e do diretor está em conseguir uma abordagem fresca, leve e completamente original sobre a gravidez na adolescência.

E a personagem principal é um caso raro de conjunção de papel especialmente bem escrito com interpretação soberbamente inspirada.

Essa menina que já está quase fazendo 21, mas passou muito bem por 16 no filme, tem uma filmografia extensa, embora restrita no Brasil. Por aqui, não estou bem certo, mas acho que só passaram Menina má.com (outra vez excelente) e X-man 3.

Muito talento em tão pouco tamanho (ela mede 1,55 cm). É preciso ver para crer!

18 de jan. de 2008

AMOR É PROSA, SEXO É POESIA



A frase do título é do Jabor. Ela inspirou uma música da Rita Lee e, por causa da música, acabou servindo de título ao livro de crônicas do próprio Jabor.

O livro é muito bom! Só li 3 crônicas até agora, mas já dá para dizer que eu prefiro o Arnaldo escrevendo sobre comportamento do que sobre política.

Mas esse post não é sobre o livro. Apenas achei que o título se encaixava...

O fato é que depois de mais de uma década (literalmente), eu escrevi uma poesia.

Ela veio inteira em 30 minutos, quase que definitiva (cada vez que eu leio, quero mudar algo, mas acho que vai ser assim para sempre). Sentado numa sala de espera onde as revistas eram velhas e o meu aparelhinho de escutar música não estava. Foi escrita em papel de rascunho com a caneta da recepcionista.

Não é boa! Eu posso não saber escrever, mas ler eu sei...

Ela pode ser infantil, brega, pobre, ou até idiota.

Mas...

Ela é minha e, em algum lugar, eu consegui achar uma forma de me orgulhar um pouquinho dela...

Aí vai...

CORPO APRESSADO

Em cada estrela, lá no céu
Seja a lua ou um cometa
Em cada palavra, posta no papel
Escondido, no fundo da gaveta
Em cada cena de cinema
Cada praia, Barra ou Ipanema
Meu cérebro impreciso
Só vê o teu sorriso...

Em cada planta no jardim
Roupa no varal
Em cada noite sem fim
Diferente, mas igual
Em cada panela no fogão
Cada linha da minha mão
O seu nome num letreiro
Eu não esqueço do teu cheiro...

Em cada gesto teu
O seu coração fechado
Em cada erro meu
Se não olho para o lado
Em cada chance perdida
Cada volta sem ida
Naquele espelho, o teu rosto
E eu ainda sinto o teu gosto...

Em cada dia sem te ver
Fim de semana viajando
Em cada anoitecer
É você quem vai guiando
Em cada cama que eu deito
Cada lembrança do seu jeito
Eu sei que já tô morto
Mas sinto falta do teu corpo...

17 de jan. de 2008

A HERANÇA DO REI!


Vou contar uma história...

Também estou precisando ouvir.

Mas é preciso acreditar!

Apesar da falta de embasamento histórico, os fatos realmente aconteceram.

Foi num reino cujo nome me foge. Muito tempo atrás. Muito mesmo!

Era um tempo tão antigo, que esse era o único reino do universo.

Mas o seu povo já estava bastante desenvolvido, seja em pensamentos, seja em realizações. Até hoje, muitas coisas, que lá ocorreram, não podem ser explicadas.

Nesse reino, muito próspero e incrivelmente rico, havia, é claro, um rei. O nome do rei eu também não lembro. (na verdade, eu não lembro de nenhum nome...)

Mas esse rei era o ser mais poderoso e rico do universo. (porque não?)

Ele já estava com os seus 80 anos e só então havia conseguido produzir o seu primeiro herdeiro.

Como já sabia estar perto da morte, o rei começou a pensar na herança de seu rebento.

Chamou o seu principal conselheiro e perguntou o que deveria fazer para deixar o príncipe bem após a sua morte.

O conselheiro tratou de tranquilizá-lo, dizendo que não havia como o príncipe não ficar bem, uma vez que herdaria toda a fortuna e todo o poder do pai.

Antes que o rei pudesse ficar tranquilo, a mãe da criança interveio e, de baixo de sua frágil figura de mulher de 20 anos, soube ser mais sábia do que os homens ali presentes.

Para a sorte da criança, ela explicou não serem suficientes a riqueza e o poder. O filho precisava de algo imaterial, algo que lhe confortasse nos dias ruins e lhe alertasse nos dias bons.

Pois todos nós temos dias bons e dias ruins...

O rei, após demitir sumariamente e mandar decapitar o conselheiro, mandou reunir todos os sábios do reino, para que ele pudesse fazer uma requisição.

Veio gente de todo tipo (uma vez que o reino se estendia por todo o planeta). Vieram brancos, negros, amarelos, vermelhos e misturados.

Quando todos estavam reunidos em um dos salões do castelo, o rei fez o anúncio de que era preciso ser feita a maior pesquisa da história. Deveriam ser examinados todos os estudos relevantes acerca de todas as áreas do pensamento moderno (para a época, é claro).

E, após o estudo, os sábios deveriam oferecer, como conclusão, a herança imaterial do príncipe. Sendo que precisava ser algo que O CONFORTASSE NOS TEMPOS RUINS E O ALERTASSE NOS TEMPOS BONS.

Mãos à obra!

Depois de quase seis meses de trabalho, quase sem descanso, os mais de 1000 sábios convocaram o rei para mostrar o resultado do estudo.

Ao rei foi apresentado uma magnífica obra de 1758 volumes, cada um com cerca de 500 páginas. Eles garantiram que não havia qualquer justificativa filosófica já pensada, que na obra não constasse.

O rei ficou rubro de raiva. Precisou respirar um pouco para conseguir dizer que tudo aquilo era inútil. Como que, num momento de alegria, ou de tristeza, o príncipe iria ter a paciência de consultar uma obra de tamanha extensão? Depois de pronunciar várias palávras que não vêm ao caso, ele ordenou que os estudos prosseguissem e que os sábios conseguissem ser mais concisos.

Depois de mais alguns meses, outro resultado dos trabalhos foi mostrado ao rei. Agora era uma obra de 3 volumes cada um com cerca de 300 páginas, com um índice muito prático e com a garantia que tudo de mais importante sobre o conhecimento humano lá se encontrava.

O rei, um pouco mais impaciente, recusou de pronto e, como justificativa, explicou que o problema continuava o mesmo. Teria que ser buscada uma concisão ainda maior.

Mais tempo, mais estudos e a obra diminuindo. Dois volumes, um somente, um pequeno, um bem pequeno, uma grande folha de papel apenas, até uma pequena, com a síntese da síntese.

Quando o rei estava prestes a se contentar com a pequenina folha de papel, do meio da multidão, uma figura se esforça para chamar a atenção do rei. Ao ser notado, ele é convidado a se aproximar da magestade.

Frente ao rei surge um homem de 60 anos, bem moreno, cabelo preto e muito liso, assim como os seus volumosos bigodes, vestindo uma túnica branca, ele entrega ao rei uma caixinha bem pequena, tudo sem mencionar uma só palavra.

O rei pega a caixinha, a abre e, de dentro dela, tira um anel com 3 palávras gravadas.

Após ler o que estava escrito, ele sorri, mostra à esposa (que sorri mais ainda) e manda chamar o seu braço-direito para anunciar que, ao homem estranho que lhe dera o anel, deveria ser concedida a realização de todos, absolutamente todos, os seus desejos.

No anel, que por sinal era de um latão bem vagabundo, estava escrito:

ISTO TAMBÉM PASSARÁ!

ANTES QUE ELE SE VÁ...



Quem me conhece sabe que eu não sou o tipo de pessoa que fica enviando piadas por email. (Não que tenha alguma coisa errada com isso!)

Mas essa piada é muito boa. Conheço ela há anos, desde o começo da invasão do Iraque pelos EUA. Não dá para traduzir, tem que ser em inglês. Acho que seu efeito será maior enquanto ainda na gestão Bush. Por isso, aí vai...

Donald Rumsfeld gave his usual daily briefing to President Bush this morning, and told him that 3 Brazilian soldiers had died in Iraq last night.

The President was surprisingly visibly shaken. Oh my God!, he said. All the color drained from his face. He slumped back down in his chair and put his head in his hands.

And, after a minute or so, when he was finally able to regain his composure, he looked up at Rumsfeld and asked,

"Exactly how many is a Brazilian?"

2 de jan. de 2008

TRÊS, DUAS OU UMA...


Todos nós andamos pela vida de bicicleta ou de triciclo!

A maioria esmagadora prefere andar com um triciclo.

Alguns poucos, como eu, andam de bicicleta (sendo que, em alguns momentos, eu chego a andar com uma roda só...).

Quando uma pessoa que anda de triciclo encontra uma que anda de bicicleta, surge um certo impasse.

Porque uma pessoa sempre quer aprender e ensinar...

A pessoa que anda na bike pode ensinar a que anda de triciclo. O perigo é que se aprender, ela nunca mais vai andar no triciclo de novo.

Já a que anda no triciclo também pode ensinar a que anda de bike. Nesse caso, o aprendizado é quase instantâneo. Após aprendido, ela dá algumas voltas no triciclo (mostra que aprendeu, ou melhor, que a outra ensinou), larga o triciclo no chão e volta para o conforto da bike, para nunca mais largar.

Quem nunca andou (pela vida) de bicicleta, certamente, não vai entender o que estou dizendo.

Não tem problema!

A vida é bela seja qualquer o veículo!

Mas aconselho: se tiver a sorte de encontrar alguém que saiba andar fluentemente de bicicleta (e esteja disposto a ensinar), não perca a oportunidade...

TRILHA SONORA




Cada um se utiliza da música de uma forma diferente.

Para passar o tempo, para ter "companhia", para criar um clima, para acessar uma memória (de alguém, de algum lugar, etc.), para ajudar a se concentrar, só para dançar, para cantar, ou qualquer outra coisa...

Comigo não é diferente. Eu utilizo a música pela emoção que ela me provoca.

Portanto, se a música não me toca (seja da forma que for), ela não serve (pelo menos para mim).

Show do Nando Reis - Noites Cariocas no Pier Mauá



Surpreendente! Muita sensibilidade e energia juntas...

Já admirava e respeitava o cara, mas agora virei fã! (Eu sou assim! O que é que eu vou fazer?)

Senti muitas emoções durante o show! Para mim foi espetacular!

Além da banda e da energia das músicas, o mais foda é a qualidade, profundidade e sensibilidade das letras.

Durante o show, eu parei para prestar atenção e acabei me encantando com alguns versos:

"Estranho seria se eu não me apaixonasse por você
O sal viria doce para os novos lábios"

"Amor, eu sinto a sua falta
E a falta é a morte da esperança...
... a vida é mesmo coisa muito frágil
Uma bobagem, uma irrelevância
Diante da eternidade do amor de quem se ama"

"Ponho os meus olhos em você
Se você está, dona dos meus olhos é você
Avião no ar
Um dia pr'esses olhos sem te ver
É como chão no mar"

"O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou!
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou...

...Sobe a lua porque longe vai?
Corre o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite

Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for"

Conclusão: O MUNDO É BÃO, SEBASTIÃO... O MUNDO É MEU, SEBASTIÃO!

Mas, no meio de uma das músicas (não lembro qual), o Nando emendou com o refrão de uma das músicas mais lindas do Bob Marley, 'Waiting in vain".

Os meus sentimentos naquele momento, essa música, aqueles exatos versos na voz doce e bem pronunciada do Nando, depois de várias músicas muito agitadas, foi foda!

Ponto alto do show! Eu, destruído...

1 de jan. de 2008

PROTEGIDO PELO UNIVERSO


Quase meia-noite!

Nenhuma núvem no céu.

Copa lotada!

"Meismo" assim, uma sensação de paz insistia em conviver com a ansiedade e a euforia das pessoas...

Já passei tanto tempo de minha vida no Rio que é meio surreal que minha primeira passagem de ano em Copa só tenha acontecido agora.

Antes tarde do que nunca... Isto serve para tudo!

De repente, um puta estouro de fogos!

Começo apoteótico (se é que isto é possível)!

Arrepios, muitos! Sem focar no que eu estava olhando, começo a enxergar algumas coisas da minha vida.

Eu totalmente careta AINDA!

Só, mas protegido!

Este é o sentimento.

Fruto de uma energia que eu não compreendo bem AINDA... (Eu disse AINDA)

Olhos carregados, ninguém vai ver...

Tudo deve ter uma explicação (assim eu penso), mas não encontro nenhuma para tanta segurança num momento de tantos espaços em branco...

Irmão, amigos, multidão e eu, só eu...

Sem beber, sem pular ondinhas...

Cigarro jogado fora (resolvi tentar parar bem na virada)!

Vazio, vazios, eletricidade no talo...

Já estou inteiro, só que, agora, com a certeza da proteção...

Um dia eu vou entender...

Chega de fogos! Chega de Copa! Chega de pensar!

Fuck it all!...

Vamos para o hotel tirar a areia!

E para chegar na festa! Foda!

Chegamos às 3:00...

Vista fora do comum (morro do Joá)!

Casa linda, festa especial, pelo menos para mim...

Não teve jeito! Lá se foi a tentativa pelo ralo...

3:15 e eu já pedia o primeiro cigarro (acho que eu devo um maço inteiro...)

Resolvi tentar, vou continuar tentanto e sei que vou conseguir, AINDA esse ano!

Tá tudo certo!

Tem muita gente olhando para mim!

Tem muita gente olhando por mim!

Nem precisava tanto!

Eu só posso aceitar e agradecer...