D E S N E C E S S A R I E D A D E S

17 de jan. de 2008

A HERANÇA DO REI!


Vou contar uma história...

Também estou precisando ouvir.

Mas é preciso acreditar!

Apesar da falta de embasamento histórico, os fatos realmente aconteceram.

Foi num reino cujo nome me foge. Muito tempo atrás. Muito mesmo!

Era um tempo tão antigo, que esse era o único reino do universo.

Mas o seu povo já estava bastante desenvolvido, seja em pensamentos, seja em realizações. Até hoje, muitas coisas, que lá ocorreram, não podem ser explicadas.

Nesse reino, muito próspero e incrivelmente rico, havia, é claro, um rei. O nome do rei eu também não lembro. (na verdade, eu não lembro de nenhum nome...)

Mas esse rei era o ser mais poderoso e rico do universo. (porque não?)

Ele já estava com os seus 80 anos e só então havia conseguido produzir o seu primeiro herdeiro.

Como já sabia estar perto da morte, o rei começou a pensar na herança de seu rebento.

Chamou o seu principal conselheiro e perguntou o que deveria fazer para deixar o príncipe bem após a sua morte.

O conselheiro tratou de tranquilizá-lo, dizendo que não havia como o príncipe não ficar bem, uma vez que herdaria toda a fortuna e todo o poder do pai.

Antes que o rei pudesse ficar tranquilo, a mãe da criança interveio e, de baixo de sua frágil figura de mulher de 20 anos, soube ser mais sábia do que os homens ali presentes.

Para a sorte da criança, ela explicou não serem suficientes a riqueza e o poder. O filho precisava de algo imaterial, algo que lhe confortasse nos dias ruins e lhe alertasse nos dias bons.

Pois todos nós temos dias bons e dias ruins...

O rei, após demitir sumariamente e mandar decapitar o conselheiro, mandou reunir todos os sábios do reino, para que ele pudesse fazer uma requisição.

Veio gente de todo tipo (uma vez que o reino se estendia por todo o planeta). Vieram brancos, negros, amarelos, vermelhos e misturados.

Quando todos estavam reunidos em um dos salões do castelo, o rei fez o anúncio de que era preciso ser feita a maior pesquisa da história. Deveriam ser examinados todos os estudos relevantes acerca de todas as áreas do pensamento moderno (para a época, é claro).

E, após o estudo, os sábios deveriam oferecer, como conclusão, a herança imaterial do príncipe. Sendo que precisava ser algo que O CONFORTASSE NOS TEMPOS RUINS E O ALERTASSE NOS TEMPOS BONS.

Mãos à obra!

Depois de quase seis meses de trabalho, quase sem descanso, os mais de 1000 sábios convocaram o rei para mostrar o resultado do estudo.

Ao rei foi apresentado uma magnífica obra de 1758 volumes, cada um com cerca de 500 páginas. Eles garantiram que não havia qualquer justificativa filosófica já pensada, que na obra não constasse.

O rei ficou rubro de raiva. Precisou respirar um pouco para conseguir dizer que tudo aquilo era inútil. Como que, num momento de alegria, ou de tristeza, o príncipe iria ter a paciência de consultar uma obra de tamanha extensão? Depois de pronunciar várias palávras que não vêm ao caso, ele ordenou que os estudos prosseguissem e que os sábios conseguissem ser mais concisos.

Depois de mais alguns meses, outro resultado dos trabalhos foi mostrado ao rei. Agora era uma obra de 3 volumes cada um com cerca de 300 páginas, com um índice muito prático e com a garantia que tudo de mais importante sobre o conhecimento humano lá se encontrava.

O rei, um pouco mais impaciente, recusou de pronto e, como justificativa, explicou que o problema continuava o mesmo. Teria que ser buscada uma concisão ainda maior.

Mais tempo, mais estudos e a obra diminuindo. Dois volumes, um somente, um pequeno, um bem pequeno, uma grande folha de papel apenas, até uma pequena, com a síntese da síntese.

Quando o rei estava prestes a se contentar com a pequenina folha de papel, do meio da multidão, uma figura se esforça para chamar a atenção do rei. Ao ser notado, ele é convidado a se aproximar da magestade.

Frente ao rei surge um homem de 60 anos, bem moreno, cabelo preto e muito liso, assim como os seus volumosos bigodes, vestindo uma túnica branca, ele entrega ao rei uma caixinha bem pequena, tudo sem mencionar uma só palavra.

O rei pega a caixinha, a abre e, de dentro dela, tira um anel com 3 palávras gravadas.

Após ler o que estava escrito, ele sorri, mostra à esposa (que sorri mais ainda) e manda chamar o seu braço-direito para anunciar que, ao homem estranho que lhe dera o anel, deveria ser concedida a realização de todos, absolutamente todos, os seus desejos.

No anel, que por sinal era de um latão bem vagabundo, estava escrito:

ISTO TAMBÉM PASSARÁ!

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