
Eu era uma criança e sentia tudo o que uma criança costuma sentir.
Tudo meio desordenado, superficial.
Só que, UM DIA, parecia haver mais sentimentos ruins do que bons. E eu cheguei a ter vergonha.
Eu era uma criança ferida.
Mas, como deveria ser para todas as crianças, existia a proteção.
UM DIA
Coisas aconteceram e tentaram me proteger, afinal, eu era uma criança.
Só que a proteção, às vezes, também tem suas consequências negativas (como as feridas).
Consequências que carregamos conosco e que seguem influenciando a nossa personalidade.
UM DIA
Talvez eu perceba.
UM DIA
Eu já não me achava mais criança (apesar de ainda ser).
Surgiram momentos bons, que duraram até que bastante.
Mas foram tirados de mim, às vezes de forma cruel.
Doeu!
UM DIA
Eu aprendi que não deveria fazer para os outros aquilo que não gostaria que fizessem comigo.
UM DIA
Ainda vou aprender a sempre conseguir me colocar no lugar das pessoas (para saber o que elas gostariam ou não).
UM DIA
Parecia que nada do que eu fazia tinha sentido.
UM DIA
Eu tinha com quem conversar.
UM DIA
Tinha coisas que eu não tinha ninguém para contar. Acho que eu nem queria contar...
UM DIA
Eu cansei de viver com as feridas sangrando.
Decidi começar a cicatrizar.
Só que eu não fui no médico das feridas sangrando.
Preferi um tratamento de choque prescrito por mim.
Fiz a cagada de me auto medicar.
Mas pode ser que esta tenha sido uma decisão inconsciente...
UM DIA
Eu vou descobrir que a intenção, pouco importa, o que vale são as atitudes.
Eu vou descobrir que mentir, principalmente para mim, não era o melhor tratamento.
Eu vou descobrir que me forçar a fabricar bons sentimentos, não vai pacificar o meu coração.
Eu vou descobrir que não compensa fingir a fortaleza para ocultar a fragilidade.
Eu vou descobrir que o que vale é só a grande viagem...
UM DIA
Eu vou perceber a verdadeira importância da real cura de nossas feridas.
Eu vou perceber que a fuga apenas parecia o caminho mais seguro e confortável.
Eu vou perceber que era também o caminho que me deixava numb...
Eu vou perceber o que eu posso ser e sentir.
UM DIA
Eu vou me tocar do meu verdadeiro lugar.
Do meu real valor e da minha força interior.
Talvez eu vá enxergar aquilo que, de fato, eu mereço.
UM DIA
Eu vou perceber tudo isso, mas só se ouvir de um profissional.
Se alguém me contar, eu não vou acreditar.
Mesmo porque, vai ser difícil alguém tentar me avisar.
UM DIA
Não muito distante, a sorte insistiu em me sorrir.
Mas eu não soube agir...
UM DIA
Uma outra sorte vai acenar para mim. Eu sei que vai.
Seria bom se eu já tiver alcançado a cura e posto a fuga e a dormência para trás.
Eu não devo de deixar oportunidades passarem por mim, assim...
Oportunidades que nem sempre aparecem...
UM DIA
Eu vou conseguir fazer o que eu preciso.
Que é encarar a vida de frente, de verdade.
Sentir o que é bom e o que é ruim de maneira equilibrada.
Me distanciar dos temores, dos vazios e da ausência que escondi no fundo da mente.
UM DIA
Eu vou conseguir cicatrizar cirurgicamente as minhas feridas e deixar, enfim, a fuga.
UM DIA
Eu vou ter as emoções em real perspectiva.
Vou ter mais fé em mim.
E só vou estar triste quando a tristeza realmente se fizer necessária.
E só vou estar feliz quando aparecer, de verdade, um motivo natural.
Não vou ter que me forçar nem a estar bem e nem a afastar a dor.
UM DIA
Quem sabe?
UM DIA
Eu consiga ver tudo isso de longe...
E ser quem eu preciso, quem eu mereço ser...
E NESSE DIA
Pode ser que eu chegue em casa um pouco triste.
Mas vai precisar apenas de um momento de carinho com a minha cadela para eu ficar bem de verdade.
Aí vai cair a ficha!
Quem sabe eu vou te ligar para te contar sobre o momento com a minha cadela e, talvez, você vá me perguntar:
- Como era mesmo o nome da sua cadela? - e eu vou te responder:
- É Hany! Como você pôde esquecer?!...
Pensando bem, é mais provável que eu não queira ligar, não para você...
De qualquer forma, hoje ainda não estou preparada para compreender tudo isso.
Mas, com certeza, vou estar UM DIA...
Tudo meio desordenado, superficial.
Só que, UM DIA, parecia haver mais sentimentos ruins do que bons. E eu cheguei a ter vergonha.
Eu era uma criança ferida.
Mas, como deveria ser para todas as crianças, existia a proteção.
UM DIA
Coisas aconteceram e tentaram me proteger, afinal, eu era uma criança.
Só que a proteção, às vezes, também tem suas consequências negativas (como as feridas).
Consequências que carregamos conosco e que seguem influenciando a nossa personalidade.
UM DIA
Talvez eu perceba.
UM DIA
Eu já não me achava mais criança (apesar de ainda ser).
Surgiram momentos bons, que duraram até que bastante.
Mas foram tirados de mim, às vezes de forma cruel.
Doeu!
UM DIA
Eu aprendi que não deveria fazer para os outros aquilo que não gostaria que fizessem comigo.
UM DIA
Ainda vou aprender a sempre conseguir me colocar no lugar das pessoas (para saber o que elas gostariam ou não).
UM DIA
Parecia que nada do que eu fazia tinha sentido.
UM DIA
Eu tinha com quem conversar.
UM DIA
Tinha coisas que eu não tinha ninguém para contar. Acho que eu nem queria contar...
UM DIA
Eu cansei de viver com as feridas sangrando.
Decidi começar a cicatrizar.
Só que eu não fui no médico das feridas sangrando.
Preferi um tratamento de choque prescrito por mim.
Fiz a cagada de me auto medicar.
Mas pode ser que esta tenha sido uma decisão inconsciente...
UM DIA
Eu vou descobrir que a intenção, pouco importa, o que vale são as atitudes.
Eu vou descobrir que mentir, principalmente para mim, não era o melhor tratamento.
Eu vou descobrir que me forçar a fabricar bons sentimentos, não vai pacificar o meu coração.
Eu vou descobrir que não compensa fingir a fortaleza para ocultar a fragilidade.
Eu vou descobrir que o que vale é só a grande viagem...
UM DIA
Eu vou perceber a verdadeira importância da real cura de nossas feridas.
Eu vou perceber que a fuga apenas parecia o caminho mais seguro e confortável.
Eu vou perceber que era também o caminho que me deixava numb...
Eu vou perceber o que eu posso ser e sentir.
UM DIA
Eu vou me tocar do meu verdadeiro lugar.
Do meu real valor e da minha força interior.
Talvez eu vá enxergar aquilo que, de fato, eu mereço.
UM DIA
Eu vou perceber tudo isso, mas só se ouvir de um profissional.
Se alguém me contar, eu não vou acreditar.
Mesmo porque, vai ser difícil alguém tentar me avisar.
UM DIA
Não muito distante, a sorte insistiu em me sorrir.
Mas eu não soube agir...
UM DIA
Uma outra sorte vai acenar para mim. Eu sei que vai.
Seria bom se eu já tiver alcançado a cura e posto a fuga e a dormência para trás.
Eu não devo de deixar oportunidades passarem por mim, assim...
Oportunidades que nem sempre aparecem...
UM DIA
Eu vou conseguir fazer o que eu preciso.
Que é encarar a vida de frente, de verdade.
Sentir o que é bom e o que é ruim de maneira equilibrada.
Me distanciar dos temores, dos vazios e da ausência que escondi no fundo da mente.
UM DIA
Eu vou conseguir cicatrizar cirurgicamente as minhas feridas e deixar, enfim, a fuga.
UM DIA
Eu vou ter as emoções em real perspectiva.
Vou ter mais fé em mim.
E só vou estar triste quando a tristeza realmente se fizer necessária.
E só vou estar feliz quando aparecer, de verdade, um motivo natural.
Não vou ter que me forçar nem a estar bem e nem a afastar a dor.
UM DIA
Quem sabe?
UM DIA
Eu consiga ver tudo isso de longe...
E ser quem eu preciso, quem eu mereço ser...
E NESSE DIA
Pode ser que eu chegue em casa um pouco triste.
Mas vai precisar apenas de um momento de carinho com a minha cadela para eu ficar bem de verdade.
Aí vai cair a ficha!
Quem sabe eu vou te ligar para te contar sobre o momento com a minha cadela e, talvez, você vá me perguntar:
- Como era mesmo o nome da sua cadela? - e eu vou te responder:
- É Hany! Como você pôde esquecer?!...
Pensando bem, é mais provável que eu não queira ligar, não para você...
De qualquer forma, hoje ainda não estou preparada para compreender tudo isso.
Mas, com certeza, vou estar UM DIA...
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